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	<title>Só não pode tirar um! &#187; Tag &#187; Contos</title>
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		<title>Lendas Esquecidas #11 &#8211; Um brinde à Morte!</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Apr 2013 10:30:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagocroft</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lendas Esquecidas]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Vampire: Réquiem]]></category>
		<category><![CDATA[Vampiro: A máscara]]></category>
		<category><![CDATA[World of Darkness]]></category>

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		<description><![CDATA[- Senta aí que vou te contar uma história. Ele falava com um sotaque estrangeiro, de modo incisivo e intimidador. Seus olhos eram de um azul gélido, as feições esquálidas. Olheiras acentuavam ao redor dos olhos e sua boca era uma fina linha, que pouco se mechia para articular as palavras ditas. - Sim eu [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>- Senta aí que vou te contar uma história.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2013/03/vampiro-energc3a9ticos-4.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-12112" alt="vampiro-energc3a9ticos-4" src="/wp-content/uploads/2013/03/vampiro-energc3a9ticos-4-300x225.jpg" width="300" height="225" /></a><em>Ele falava com um sotaque estrangeiro, de modo incisivo e intimidador. Seus olhos eram de um azul gélido, as feições esquálidas. Olheiras acentuavam ao redor dos olhos e sua boca era uma fina linha, que pouco se mechia para articular as palavras ditas.</em></p>
<p>- <strong>Sim eu sou um vampiro</strong>. Esqueça toda esta porcaria de <strong>Crepúsculo</strong> e seriadinhos idiotas que andam fazendo por aí. Sem frescuras, ok? <strong>Sou um bebedor de sangue imortal</strong>. Fadado a existência amaldiçoada; portador do <strong>Grande Mal</strong> ou <strong>Dádiva das Trevas</strong>. Uma vez conheci um maluco que dava nomes bonitos à esta merda toda. Eu chamo simplesmente de: um lance legal.</p>
<p>- Fui feito o que sou, &#8230; o quê? Não me olhe com esta cara, vou explicar: <strong>Fui transformado há pelo menos 300 anos</strong>. Sabe,  conforme o tempo passa as noites vão ficando mais longas e o tempo não é mais importante. O que me lembro é de não existir luz elétrica, e é por aí que tenho por base. Ou acha que minha memória é infalível?</p>
<p><em>Estávamos num bar sujo. Uma mesa de bilhar num canto, um balcão engordurado e as cadeiras e bancos já virados de ponta-cabeça. O dono do estabelecimento tentava, inutilmente, limpar uma mancha no assoalho com um esfregão. Apenas dois bêbados jaziam sentados com uma garrafa de cerveja e falavam qualquer coisa sem importância.</em></p>
<p><em>O vampiro e eu estávamos num canto e conversávamos displicentemente.</em></p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2013/03/vampire-lookjpg-313.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-12111" alt="vampire-lookjpg-313" src="/wp-content/uploads/2013/03/vampire-lookjpg-313-300x240.jpg" width="300" height="240" /></a>- Sim, cara, eu bebo sangue&#8230; o que foi? Assustou-se? Calma, não irei beber o seu. <strong>Estou bem alimentado por esta noite</strong>. A vida, ou melhor, <strong>a não-vida de um vampiro é esta eterna dança da morte</strong>. A qual vivemos por sangue, esta sede insaciável por alimento, o néctar que corre nas veias dos mortais&#8230; dos humanos, caramba! Vai ficar me interrompendo? E o sangue é tudo que consegue saciar a <strong>Fome</strong>.</p>
<p>- É, meu chapa&#8230; a <strong>Fome</strong> é algo que nos deixa animalescos! Verdadeiros monstros. Sabe aquela máxima: <em>&#8220;um monstro eu devo ser, para um monstro eu não me tornar&#8221;</em>? Ah, sei lá se está certo, é alguma porcaria deste tipo. Então, fica quieto, cara! Deixa eu falar! O negócio é o seguinte: você aos poucos vai deixando de ser <strong>Humano</strong>. Vai se tornando outra coisa, uma nova espécie.</p>
<p>- Como foi que surgimos? Você diz com relação ao Primeiro de nós? Esta merdaiada toda de <strong>Livro Sagrado</strong> e coisas assim? Meu irmão, sei que você não é burro, para &#8216;<em>pra</em> pensar só um instante: Se alguém soubesse como esta porcaria toda começou, acha mesmo que estaria por aí escrito em livros bem encadernados, e berrando em templos clamando por doações para a <strong>&#8220;obra do Senhor&#8221;</strong>? Se toca, cara! Quando um conhecimento deste porte é sabido, ele é guardado à sete chaves. Afinal, conhecimento é poder. E o que é divulgado é apenas uma parcela do que se sabe. E não.  Não sei e não quero saber como surgimos. Se foi por um <strong>espírito malígno</strong>, um louco <strong>empalador</strong> ou amaldiçoados por <strong>anjos de Deus.</strong>.. que se dane! Não faço questão nenhuma de saber.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2013/03/vampire1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-12110" alt="vampire1" src="/wp-content/uploads/2013/03/vampire1-248x300.jpg" width="248" height="300" /></a>- Mas se tem alguma vantagem em ser <strong>vampiro</strong>? Óbvio que tem, ninguém vira isso atoa, &#8216;<em>tá</em>&#8230; tudo bem, tem uns que são transformados sem pedir, e coisa e tal&#8230; mas com o tempo vai experimentando as sensações da <strong>imortalidade</strong>. As capacidades <strong>sobrenaturais</strong> que apenas nós, vampiros, somos capazes de fazer. A velocidade, a força, a resistência&#8230; isso sem contar em dons mais específicos: virar animais, controlar multidões, manipular elementos, a própria treva&#8230; tem coisa que até  o <strong>Diabo</strong> duvida! Qualquer dia te mostro um truque ou outro.</p>
<p>- Então, assim como os mortais, nós os imortais também nos organizamos em sociedade. Claro, não nos reproduzimos como loucos que nem vocês. Mas podemos criar um semelhante e assim aumentar a densidade populacional dos nossos por aí. Claro, você vai encontrar para cada 100 pessoas um vampiro, ou coisa do tipo. Ou então, seria complicado existir todo este tempo. Existem leis que controlam essa coisa toda. Mas é muita informação para te falar aqui. Até por que, já vai amanhecer.</p>
<p>- Apenas tenha em mente que <strong>os Humanos são alimentos</strong>. Sim cara, para nós vampiros vocês não passam de um <strong>lanchinho</strong>. São usados para nos servir durante o dia e como forma de saciar nossa sede à noite.</p>
<p>- Mas então, aqui estamos, faltam alguns minutos para o<strong> sol raiar</strong>. Então me diga: <strong>Você pode sair desta morto ou não-vivo</strong>. Como você prefere? Ah, não me venha com esta&#8230; se quisesse ir embora poderia ter tentado antes. O presente que tenho para te dar é muito melhor do que você jamais poderá um dia ter.</p>
<p>- E então, posso fazê-lo viver para sempre? Eu sabia que aceitaria. Gosto disso, sabe?</p>
<p>- O quê? Está com medo? É bom ter medo&#8230; ele nos faz lembrar que ainda, mesmo que apenas um pouco, nos resta alguma lucidez. O que foi? Acha que estou blefando? <strong>Que sou maluco</strong>?</p>
<p>- Pois é&#8230; todos nós temos um pouco de loucura.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>O dono do bar acabava de limpar o balcão. Os bêbados já estavam desmaiados tomados pela embriaguez. E apenas restara um cara <strong>sentado sozinho</strong>, falando baixo e gesticulando ora ou outra. Mas falava num idioma que o dono do bar não conhecia. Seria <strong>russo</strong>? <strong>Alemão</strong>? Não importa, o esquesito é que ele <strong>falava sozinho</strong>.</em></p>
<p><em>Num momento o estranho estava ali em suas divagações. Num piscar de olhos, <strong>desaparecera</strong>. O dono do bar coçou os olhos afastando o sono pela madrugada não dormida, mas nada mudou. O cara realmente desapareceu. Ele achara que devia estar com muito sono. Não devia ter ninguém mais ali além dos dois bêbados. Ele apenas imaginara coisas.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Momentos antes do sol nascer, o <strong>vampiro</strong> arrastou-se para baixo do assoalho do porão e entregou-se ao sono diurno. Naquele dia sonhou com a noite em que fora transformardo num <strong>bebedor de sangue</strong>.</p>
<hr />
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<hr />
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		<title>Tolkien e a Sociedade brasileira</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Sep 2012 22:31:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antunes Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofias e opiniões]]></category>
		<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofias de RPG]]></category>
		<category><![CDATA[O Hobbit]]></category>
		<category><![CDATA[RPG]]></category>
		<category><![CDATA[Semana Tolkien no SNPT1]]></category>
		<category><![CDATA[Senhor dos Anéis]]></category>

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		<description><![CDATA[Poucos homens marcam a história de toda a humanidade. Menos ainda fazem isso de maneira positiva e se tornam inesquecíveis e imprescindíveis como exemplos para as próximas gerações. Hoje eu gostaria de falar sobre Sir John Ronald Reuel Tolkien, ou como todos o conhecemos: J. R. R. Tolkien. Como RPGistas (e/ou atualmente, também os cinéfilos), [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Abertura2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6943" src="/wp-content/uploads/2012/09/Abertura2.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a></p>
<p>Poucos homens marcam a história de toda a humanidade. Menos ainda fazem isso de maneira positiva e se tornam inesquecíveis e imprescindíveis como exemplos para as próximas gerações.</p>
<p>Hoje eu gostaria de falar sobre <strong><em>Sir John Ronald Reuel Tolkien</em></strong>, ou como todos o conhecemos: <em>J. R. R. Tolkien</em>.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/B2.jpg"><img class="alignright  wp-image-6944" src="/wp-content/uploads/2012/09/B2.jpg" alt="" width="320" height="279" /></a></p>
<p>Como <strong>RPG</strong>istas (<em>e/ou atualmente, também os cinéfilos</em>), acredito que ele dispensa apresentações. Então eu gostaria de conversar e colocar em pauta algumas reflexões que este verdadeiro <strong>Mestre</strong> produz em mim, quando aprendo e analiso sua <em>Obra</em> e sua vida.</p>
<p>Um apaixonado pela <em>Lingüística</em>, amante profundo do conhecimento e acima de tudo um caçador da origem das palavras, lendas e boas histórias, este homem deixou um legado no que se refere a exemplo de paixão por algo de que se gosta.</p>
<p>Com um interesse pelo lúdico e imaginativo, afirmou certa vez que algumas línguas chamadas “mortas” eram ainda mais “mortas” que outras que já haviam caído em desuso, pois seus criadores não as haviam munido de lendas e histórias.</p>
<p>Ele considerava indissociáveis os fatores folclóricos, culturais e lúdicos de uma “<em>Língua</em>” para a manutenção de sua importância e engrandecimento de sua estrutura.</p>
<p>Escrevendo muitos de seus manuscritos para seus próprios filhos, aproximou-os de sua própria paixão, e arrebanhou infantes pelo mundo afora para seu assim chamado “<em>mundo secundário</em>”.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/C2.jpg"><img class="alignleft  wp-image-6948" src="/wp-content/uploads/2012/09/C2.jpg" alt="" width="320" height="240" /></a></p>
<p><strong>Tolkien</strong> não só trouxe gerações e gerações para mais próximo da leitura, ou forneceu combustível para a imaginação de milhões através dos anos, mas pôde propiciar o fato singular e brilhante de agregar todas as mentes em um só lugar&#8230; um mesmo mundo&#8230; segundo suas próprias palavras:</p>
<blockquote><p>“<em>[Criei] um Mundo Secundário no qual sua mente pode entrar. Dentro dele, tudo o que ele relatar é &#8220;verdade&#8221;: está de acordo com as leis daquele mundo. Portanto, acreditamos enquanto estamos, por assim dizer, do lado de dentro.”</em></p></blockquote>
<p>Para mim, <em>Natan Tomé</em>, a maior obra de Tolkien não foi &#8220;<em>O Silmarillion&#8221;</em>, &#8220;<em>O Hobbit&#8221;</em>, ou &#8220;<em>O Senhor dos Anéis&#8221;</em>, suas obras mais difundidas e conhecidas (<em>assim acredito</em>), mas ter demonstrado <strong>O</strong> <strong>Poder do Saber</strong>, O <strong>Poder da Paixão pela Criação </strong>e <strong>O Poder</strong> que subsiste na <strong>Identidade dos Povos</strong>.</p>
<p><strong>Tolkien</strong> acreditava no poder do saber, e perseguia avidamente mais e mais conhecimentos, indo a fundo na identidade dos povos através da <em>Lingüística</em>, e assim encontrou o poder criativo para demonstrar estas maravilhas para aqueles que jamais poderiam ter acesso a tais maravilhas. <strong>Tolkien</strong> me ensina que não há coisa melhor do que aprender. E transmitir conhecimento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/D1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6949" src="/wp-content/uploads/2012/09/D1.jpg" alt="" width="600" height="442" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>E então&#8230;</strong></p>
<p>E então eu olho em volta, e vejo um cenário muito diferente de tudo o que <strong>Tolkien</strong> me ensinou aqui no Brasil.</p>
<p>Vejo ensino primário precário em estímulo ao lúdico e ao raciocínio crítico, onde se ensina a nossas crianças como se deve pensar, ao invés de como pensarem por si mesmas.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/E.jpg"><img class="alignright  wp-image-6952" src="/wp-content/uploads/2012/09/E.jpg" alt="" width="320" height="248" /></a></p>
<p>Orientações pedagógicas restritivas ao ensino proveitoso e produtivo, onde professores (<em>dentre os quais conheço e conheci muitos</em>) lutam contra suas diretorias, Sociedade e muitas das vezes contra pais de alunos para proporcionar brasileiros melhores para o futuro.</p>
<p>Culpa da diretoria? Creio que não. Eles apenas recebem orientações&#8230; Culpa da Sociedade? Poderíamos dizer que sim, pois em uma República Federativa, espera-se que haja consciência na hora de exercer seus direitos de escolha&#8230; Culpa dos Pais? Como estes que vieram deste mesmo sistema poderiam ser plenamente responsabilizados? Só estão repetindo o padrão&#8230;</p>
<p>Este cenário se repete por anos a fio, em todas as escalas de ensino, pois no ginásio, ensino médio e na maioria das faculdades e universidades, as coisas não se mostram diferentes.</p>
<p>O que isso tem a ver com o <strong>RPG</strong>? Você me pergunta&#8230;</p>
<p>Tudo isso denota uma intensa dificuldade de expressão por parte dos brasileiros, uma tendência à depredação social da linguagem por parte da Sociedade, onde se traveste de “<em>Cultura</em>” aquilo que outros povos acertadamente conhecem apenas como tendências.<br />
O povo se distancia da <em>Linguagem</em>, vai mistificando sua <em>Identidade</em> e se relaciona muito mal com sua<em> Imaginação</em>, e com tudo aquilo que encantou a <strong>Tolkien</strong>.</p>
<p>Voltando a ele, um dos produtos de seu intenso amor através dos anos, o <strong>RPG</strong>, se posiciona exatamente contrário a todos estes fatores que percebo no cenário educacional brasileiro, e assim posso traçar uma linha conclusiva do porque o brasileiro é tão desconfiado do nosso amado <em>Hobby</em>.</p>
<p>Não somos ensinados a pensar, imaginar, produzir e principalmente a criar. Então se introduz em nosso país algo que além de se opor a nossa realidade, ainda faz isso tudo em conjunto!</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/F.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6954" src="/wp-content/uploads/2012/09/F.jpg" alt="" width="600" height="300" /></a></p>
<p>Aliás, outra coisa que não somos ensinados: Agir em conjunto. Em grupo. Em união.</p>
<p>Na cultura do cada um por si e no máximo eu e minha família, para muitas pessoas é difícil sentar em uma tarde de sábado com alguns refrigerantes e “<em>ligar</em>” o consciente coletivo em um mesmo lugar chamado “<strong>Toril</strong>”, “<strong>Arda</strong>” ou “<strong>Mega City</strong>”&#8230; Não somos ensinados a isso no colégio.</p>
<p>Opa&#8230; <em>consciente coletivo</em>? O que é isso mesmo?</p>
<p>O brasileiro tem uma desconfiança natural do RPG, não apenas por matérias jornalísticas caluniosas do passado, ou exemplos extremos pescados em maus jogadores de <em>Live Action</em>. Brasileiros desconfiam naturalmente do <strong>RPG</strong> porque ano após ano, não são ensinados a olhar para dentro de si. E acima de tudo se expressar quanto a isso.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/G.jpg"><img class="alignleft  wp-image-6957" src="/wp-content/uploads/2012/09/G.jpg" alt="" width="320" height="276" /></a></p>
<p>Quer um exemplo? Os tais “<em>assuntos indiscutíveis</em>” <em>Política</em>, <em>Religião</em> e<em> Futebol</em>&#8230;</p>
<p>Ou seja, se você tem de expressar aquilo que acredita, ou defende, mas outros podem discordar: <strong>Não o faça</strong>.</p>
<p>No <strong>RPG</strong>, isso <strong>não</strong> teria vez&#8230; <strong>Não</strong> seria possível&#8230;</p>
<p>Defendo: o <strong>RPG</strong> é e se posiciona como uma maneira de aproximar o brasileiro do lúdico, do pensamento por si só, e funciona como uma forma eficiente de treinar sua expressão.</p>
<p>Defendo também sua função restauradora (em termos sociais) quanto à capacidade de entender, desmitificar e interagir com o pensamento de outrem, além de ser uma possível porta para destrancar todo o potencial do pensamento crítico por parte do cidadão, seja ele estudante, profissional ou idoso.</p>
<p>Seja você formador de opinião ou não, você <strong>precisa</strong> disto. Porque produzir conhecimento de si mesmo, passa pelo conhecimento da linguagem, do entender o que está a sua volta e utilizar seu conhecimento e capacidade imaginativa para ultrapassar limites. E continuamente ir construindo nossa identidade como nação.</p>
<p>Obrigado <strong>Tolkien</strong>. Você me forneceu, e continua fornecendo a todas as gerações as armas para tentar transformar minha realidade, e a realidade dos que estão à minha volta. Não sei se você sabia que isto iria acontecer, mas o fato de você ter feito engrandece por demais minha admiração por você.</p>
<p>E tudo começou com seu amor e dedicação ao que gostava&#8230;</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Encerramento2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6955" src="/wp-content/uploads/2012/09/Encerramento2.jpg" alt="" width="600" height="386" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Créditos de Imagem:</p>
<p>01  <a href="http://elfdaughter.deviantart.com/">Elfdaughter</a> ( http://bit.ly/PgaQev )<br />
02  <a href="http://lueb-art.deviantart.com/">Lueb-Art</a> ( http://bit.ly/SOd1FK )<br />
03  <a href="http://fresco-child.deviantart.com/">fresco-child</a> ( http://bit.ly/OWTqT1 )<br />
04  <a href="http://deligaris.deviantart.com/">Deligaris</a> ( http://bit.ly/QzBb7j )<br />
05  <a href="http://cg-warrior.deviantart.com/">CG-Warrior</a> ( http://bit.ly/Q1RE3B )<br />
06  <a href="http://shockbolt.deviantart.com/">Shockbolt</a> ( http://bit.ly/SqRDLP )<br />
07  <a href="http://jakemurray.deviantart.com/">JakeMurray</a> ( http://bit.ly/SqRFDG )<br />
08  <a href="http://moonxels.deviantart.com/">moonxels</a> ( http://bit.ly/TqILYg )</p>
<hr />
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<hr />
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		</item>
		<item>
		<title>&quot;Os Biscoitos da Sorte Abençoados de Tamu-ra&quot;</title>
		<link>http://sonaopodetirarum.com.br/2012/09/10/os-biscoitos-da-sorte-abencoados-de-tamu-ra-2/</link>
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		<pubDate>Mon, 10 Sep 2012 21:33:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lord Raphael Santz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Novas Classes e adaptações]]></category>
		<category><![CDATA[Adaptações]]></category>
		<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Dragões]]></category>
		<category><![CDATA[TormentaRPG]]></category>

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		<description><![CDATA[Que levante a mão aquele que nunca leu &#8220;Holy Avenger&#8220;, nunca pegou numa das antigas aventuras da Dragão Brasil falando sobre templos de homens-serpente, labirintos de guerreiros minotauros ou ameaças de exércitos globinóides e ainda aquele que nunca sonhou empunhar Rhumnam, a sagrada espada do avatar do deus da Justiça&#8230; Ok, agora abaixe a mão&#8230; [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Lin-Wu.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6582" src="/wp-content/uploads/2012/09/Lin-Wu.jpg" alt="" width="600" height="395" /></a></p>
<p>Que levante a mão aquele que nunca leu &#8220;<strong><em>Holy Avenger</em></strong>&#8220;, nunca pegou numa das antigas aventuras da <strong><em>Dragão Brasil</em></strong> falando sobre templos de homens-serpente, labirintos de guerreiros minotauros ou ameaças de exércitos globinóides e ainda aquele que nunca sonhou empunhar <strong><em>Rhumnam</em></strong>, a sagrada espada do avatar do deus da Justiça&#8230;</p>
<p>Ok, agora abaixe a mão&#8230; Você está atraindo a <em>vergonha</em> sobre si&#8230;</p>
<p>Brincadeiras a parte, você gostando ou não, não pode negar a importância do famoso cenário de campanha<em> Tormenta</em> para o <strong>RPG</strong> no brasil.</p>
<p>Como pude compartilhar no meu primeiro post no blog (<em>que por sinal já pede uma parte 2)</em>, meu primeiro contato com o <strong>RPG</strong> foi em um livro-jogo, mas a compreensão do potencial desta coisa maravilhosa só veio mesmo com a <strong>DB 50</strong>.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Tormenta.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-6587" src="/wp-content/uploads/2012/09/Tormenta.jpg" alt="" width="241" height="400" /></a></p>
<p>Eis que recentemente em um súbito ataque de oportunidade, a paixão por este cenário voltou com tudo, e estou amando as novidades do <em>TormentaRPG</em>.</p>
<p>Chorei, chorei e consegui que meu querido mestre <strong>Antunes</strong> (<em>@Old_Paladin)</em> iniciasse uma campanha no cenário, e consegui ainda que eu pudesse testar um antigo sonho: Jogar com um <strong>Dragão</strong>!</p>
<p>Calma, peraí, não começarei com todos os poderes, mas evoluirei aos poucos, conforme avanço de nível. Um trabalho primoroso de criação de um talentoso <strong>RPG</strong>ista, confira:</p>
<p>Fórum Jambô: <a href="http://www.jamboeditora.com.br/forum/viewtopic.php?t=6071&amp;postdays=0&amp;postorder=asc&amp;start=0" target="_blank">Raça/Classe Krestlar para TormentaRPG</a></p>
<p>Encontrei este excelente material enquanto fuçava no fórum da <em>Jambô</em>, e deixo aqui para vocês o background de <strong><em>Hideaki Shirou</em></strong> (<em>significado: Brilho Esplêndido da Pureza</em>), um dragão do vácuo tamuriano que vivia a eternidade em<em> Sora</em> (plano celestial de<em> Lin-Wu</em>) mas veio a <strong>Arton</strong> por amor a seu <em><strong>Nobre Senhor Imperador Dragão</strong></em>.</p>
<p>O mestre adorou o background, então incentivado por ele, está aí a lenda da origem dos &#8220;<strong><em>Biscoitos da Sorte Abençoados de Tamu-ra</em></strong>&#8220;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><em>- Papai, você trouxe, você trouxe?<br />
-Sim, meu pequeno guerreiro&#8230; Assim como você sempre deseja, eu trouxe&#8230;<br />
-Obaaa!  Obaaa!  Papai, esta é a melhor parte do meu dia, quando o senhor volta de suas obrigações&#8230;<br />
- Fico feliz em ouvir isso&#8230; E mais feliz ainda pelo fato de você gostar tanto <strong>especialmente</strong> <strong>disto</strong>. Diga-me, já lhe contei a lenda sobre a origem dos famosos &#8220;Biscoitos da Sorte Abençoados de Tamu-ra&#8221;?</em></p>
<p><em> </em></p>
<p>O clima estava ameno ali. Sempre era naquela época do ano. E as pétalas rosadas das flores brilhantes dançavam ao vento. Elas sempre dançam nesta época do ano.<br />
<strong>Sora</strong>, o <em><strong>Plano Divino do Imperador Dragão Lin-Wu</strong></em> era o espelho perfeito de sua divindade: <strong>Beleza</strong>, <strong>Perfeição</strong> e <strong>Equilíbrio</strong>.</p>
<p>Mas aquele não era um dia comum, ao menos para <strong>um</strong> de seus habitantes. Seu nome fora perdido no tempo por aqueles que poderiam lembrar, e às vezes até mesmo entre alguns dos habitantes da <strong>Fortaleza Takayama</strong>, um colossal palácio onde seu topo investia contra as nuvens e singrava o céu.<br />
Ele vivia, assim como os outros habitantes, simplesmente para servir ao <strong>Imperador Dragão</strong> e não era uma criatura comum, mas sim um imponente e poderoso <strong>Dragão do Vácuo</strong>, a semelhança de seu próprio mestre.</p>
<p>No entanto, seu status não era tão alto quanto poderia ser, e na verdade isto não importava muito, tanto para ele quanto para qualquer outro, pois servir ao <strong>Senhor</strong> era a única coisa que era importante. E no fim, mesmo nas mais baixas castas, mesmo a espera durando milhares de anos, chegaria o dia que um dos servos poderia realizar a <strong>cerimônia do chá</strong> frente ao próprio <strong>Lin-Wu</strong>. Apesar das noções de tempo e espaço serem totalmente diferentes do plano material, de tempos em tempos <strong>Lin-Wu</strong> separava um leal servo e passaria uma tarde agradável em sua companhia, e o serviria em respeito e reconhecimento a seu valor.</p>
<p>E aquele era o dia <strong><em>dele</em></strong>, e ele se aprontou o melhor que pôde, e quando foi convocado à presença do <strong>Imperador</strong>, pôs-se a contemplá-lo com todo o seu poder, beleza, honra e perfeição.<br />
Mas uma coisa especial estava reservada para aquele dia. Nada escapa aos aguçados sentidos de uma divindade, e exatamente naquele momento, em paralelo à cerimônia do chá com seu servo, <strong>Lin-Wu</strong> percebeu que algo importante demais estava acontecendo.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Cultura.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6590" src="/wp-content/uploads/2012/09/Cultura.jpg" alt="" width="274" height="400" /></a></p>
<p>Longe dali, em <strong>Arton</strong> uma comitiva chegava a seu destino, após muitos e muitos quilômetros de viagem.<br />
<em>Alec Danaghar</em>, <em>Embaixador Real d’O Reinado</em> chegava com a primeira comitiva (<em>mais parecendo uma missão</em>) à ilha de <strong>Tamu-ra</strong>. Era o primeiro contato com aqueles estranhos humanos que viviam na outra parte do continente.<br />
<strong>Lin-Wu</strong> sabia e compreendia a importância daquele momento, e subitamente então, todos os seus servos celestiais também sabiam, porque ele quis assim. Foi ali que seu servo, a sua frente, soube que possivelmente sempre estaria na memória de seu Senhor, por motivo de estar presente em um momento tão importante.</p>
<p>Mas inesperadamente uma coisa aconteceu. <strong>Alec Danaghar</strong> se apaixonou. Apaixonou-se por <strong>Tamu-ra</strong>, sua cultura, seus costumes, seu povo, seu <strong>deus</strong>. Passou ali três semanas inteiras tecendo seus relatórios para seu rei, e neles, descreveu-os com tanta admiração e paixão que tocou até mesmo o próprio<strong> Imperador Dragão Lin-Wu</strong>.</p>
<p>Rapidamente era à tarde anterior ao dia da partida de <strong>Alec</strong>, mas em <strong>Sora</strong>, servo e senhor ainda contemplavam tal amor e admiração. E <strong>tristeza</strong>.</p>
<p>Alec não queria ir embora, e havia também contagiado seus conterrâneos. O <strong>Imperador de Jade de Tamu-ra</strong> também percebeu a aflição no rosto daquele <strong>gaijin</strong> que aprendeu a respeitar. E então, do fundo de seu coração, agradeceu a <strong>Lin-Wu</strong> por existir <em>Honra</em>, <em>Amor</em> e <em>Devoção</em> nas terras além mar.</p>
<p>O servo celestial olhou para seu <strong>Imperador Dragão</strong>. E então contemplou <strong>Arton</strong> novamente naquela que era a última noite em conjunto de pessoas que aprenderam a se respeitar e a se honrar.<strong> Tomou uma decisão</strong>.</p>
<p>O leal <strong>Dragão do Vácuo</strong> pediu a seu <strong>Senhor Dragão</strong> que de alguma maneira o permitisse servir a ele proporcionando ao jovem <strong>Alec</strong> a percepção verdadeira de que mesmo fora de<strong> Tamu-ra</strong> aquele povo, todo o seu modo de vida e o próprio<strong> Lin-Wu</strong> ainda estariam com ele.</p>
<p>Tal pedido agradou <strong>Lin-Wu</strong>. Agradou de tal forma que mesmo sabendo que não possuía poder fora de <strong>Tamu-ra</strong>, foi até o reino de <strong>Wynna</strong>, a deusa da magia e com ela forjou um trato, onde através de seu poder, permitiria de alguma forma manter sua proteção a <strong>Alec</strong>.</p>
<p><strong>Wynna</strong> por sua vez, analisou a situação e se compadeceu, e viu ali uma boa oportunidade de criar algo <strong>inteiramente novo</strong> através da <strong>Magia</strong>, e mesmo sabendo que não poderia ir contra este <strong>impulso criativo</strong> que a tomava por completo e a definia (<em>o que por conseqüência denotava que Lin-Wu a estava manipulando em favor próprio</em>) testou o servo do <strong>Imperador Dragão</strong>.</p>
<p>Disse a ele que poderia sim proporcionar tal acontecimento, se ele estivesse disposto a abdicar de tudo, em favor de servir ao seu <strong>Senhor</strong>, pois ela deveria usar no processo toda a centelha celestial de vida que residia nele.</p>
<p>Prontamente, o servo ajoelhou-se, e com rosto em terra, <strong>entregou-se</strong> ao seu destino, <strong>fosse ele qual fosse</strong>.</p>
<p>Ele mesmo não viu, mas a sempre alegre e exuberante <strong>Wynna</strong> olhou para <strong>Lin-Wu</strong> com uma solitária e teimosa lágrima em seu rosto inesquecível, emocionada frente a tanta <strong>fé</strong> e <strong>dedicação</strong>, sabendo que dificilmente receberia tal lealdade da maioria de seus adoradores (<em>ela mesma uma caótica divindade</em>).</p>
<p>Ajoelhado ali, ele ouviu a sentença definitiva de seu futuro:</p>
<p><strong><em>- Por tua Honra e Lealdade, servirás ao teu propósito entre os mortais, e serás tu mesmo um mortal. Mas pelo amor que demonstrou, terás em ti a capacidade de retornar ao teu status atual, liberando em ti a herança maior do poderoso Lin-Wu, assim como meu supremo dom, a prodigiosa Magia.</em></strong></p>
<p><strong>- Serás daqui por diante e para sempre guardião da família Danaghar, sua descendência e posteridade. Encerrarás em ti eternamente as bênçãos de Lin-Wu e o reconhecimento de Wynna.</strong></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Medalhão.jpg"><img class="alignright  wp-image-6593" src="/wp-content/uploads/2012/09/Medalhão.jpg" alt="" width="372" height="268" /></a></p>
<p>De repente tudo escureceu, e de alguma forma o servo fiel sabia que não possuía mais seu serpenteante corpo, patas ou até mesmo suas presas. Era em si mesmo<strong> só consciência</strong>, mas em si carregava as sementes de duas divindades.</p>
<p>Contemplou-se caindo eternamente por nuvens douradas de um avançado entardecer tamuriano, viu os fogos das festividades, e as luzes das casas, e contemplou um grande palácio, e então atravessou telhados e paredes, e móveis e pessoas, e caiu&#8230;   Em uma mesa de cozinha, cheia de massas de bolos e biscoitos.</p>
<p>Naquela noite, o imperador tamuriano fez um respeitável discurso, ausente de emoção como um bom tamuriano, mas assim mesmo inflado de admiração. Todos sentiram o clima de amizade verdadeira enquanto ele declarava abertas as portas para novas comitivas, e declarava também missões diplomáticas e acordos futuros a serem feitos com Deheon.</p>
<p>Como sinal de uma derradeira honra, ordenou que trouxessem os alimentos, e que <strong>Alec Danaghar</strong> fosse o primeiro a ser servido, o que por si só já seria uma quebra incomum do protocolo tamuriano.</p>
<p><strong>Alec</strong> sabia que não conseguiria se alimentar, mas decidiu que seria ruim se não o fizesse. Hesitantemente declarou a todos que gostaria de nunca partir, mas havia sua família para rever e seus deveres para cumprir, mas gostaria que pudesse levar consigo um pedaço de <strong>Tamu-ra</strong>.</p>
<p>Olhou para a mesa e o formato encravado na superfície de um biscoito chamou sua atenção. Nele, estava incrustada uma forma de dragão prateada semelhante ao seu recém descoberto <strong>Lin-Wu</strong>, e nenhum outro biscoito possuía aquele entalhe.</p>
<p>Ao pegá-lo, quebrou um pedaço e descobriu que aquele entalhe na verdade era um medalhão com as seguintes palavras entalhadas no seu verso: “<strong>Todas as Proteções ao que é Honrado</strong>”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Ninguém</strong> havia colocado aquele medalhão ali. Pois tentaram em vão por horas descobrir sua origem. O caso se tornou famoso, pois o imperador deu aquele medalhão de prata de presente para o <strong>gaijin</strong>, e declarou que agora, inegavelmente uma parte de <strong>Tamu-ra</strong> iria acompanhá-lo.</p>
<p>No dia seguinte, um sacerdote abençoou a partida da missão diplomática e contou a <strong>Alec</strong> que sonhou que aquele amuleto possuía a <strong>força de Lin-Wu</strong>, e que quando precisasse de proteção, orasse com fervor olhando em direção a ele que assim <strong>seria respondido</strong>.</p>
<p>Com o passar do tempo, os biscoitos se tornaram uma <strong>tradição</strong>, e as palavras entalhadas se tornaram pequenos bilhetes colocados em seu interior.</p>
<p>Mas em qualquer lugar que alguém comesse um “<strong>Biscoito da Sorte Abençoado</strong>”, saberia que <strong>Lin-Wu</strong> está sempre disposto a reconhecer a honra de qualquer um que a possua.</p>
<p style="text-align: center"><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Samurai.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-6597" src="/wp-content/uploads/2012/09/Samurai.jpg" alt="" width="630" height="289" /></a></p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Alec Danaghar</strong> se tornou o primeiro devoto de <strong>Lin-Wu</strong> fora de <strong>Tamu-ra</strong>, e com o passar do tempo seu fervor se espalhou por sua família. Os acordos com <strong>Tamu-ra</strong> foram estabelecidos e fortalecidos, e depois de anos, uma pequena comunidade se estabeleceu dentro do <strong>Reinado</strong>, mais especificamente em <strong>Valkaria</strong>.</p>
<p>O próprio <strong>Alec</strong> nunca voltou a <strong>Tamu-ra</strong>, mas aquele item de inestimável valor sentimental e religioso sempre ocupou posição de destaque em sua família, e admiração de seus vizinhos, amigos e familiares. Ao passar dos anos, <strong>Lin-Wu</strong> começou a ser venerado também em <strong>Deheon</strong> (<em>mesmo que pouco influente</em>) e a família <strong>Danaghar</strong> se tornou próspera e poderosa dentro da aristocracia do reinado.</p>
<p>Todos os <strong>Danaghar</strong> sabiam que o medalhão “<em>sagrado</em>” de seu antepassado não era um item mundano e comum, mas ninguém sabia realmente o que ele fazia. Até recentemente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Alethus Danaghar</strong> é o atual patriarca, e segue fielmente o código de conduta da família, que é por conseqüência <strong>os preceitos de Lin-Wu</strong>. Suas relações com <strong>Nitamu-ra</strong> são estreitas e fortes, e ele é um dos poucos que gozavam de relativa abertura nos momentos antes da libertação de <strong>Tamu-ra</strong> da área de <strong>Tormenta</strong> que lá havia, e agora ele possui ainda mais contatos.</p>
<p>O problema é que há três anos sua filha <strong>Eliana</strong> foi prometida a um duque de um reino vizinho, e viajou para se encontrar com seu futuro senhor e marido, para passar uma temporada com seus futuros familiares. No meio da viagem, desapareceu sem deixar rastros, deixando como pista apenas uma palavra escrita com sangue na empoeirada estrada de terra batida por um de seus muitos guardas moribundos: <strong>Enclave Herege</strong>.</p>
<p>Depois de dois anos lutando para descobrir o paradeiro de sua filha, com dor e sofrimento, gastando somas incontáveis de dinheiro com mercenários, investigadores e aventureiros, <strong>Alethus</strong> desistiu de acreditar que <strong>Eliana</strong> pudesse estar viva. Mas mesmo assim, queria <strong>vingança</strong>.</p>
<p>Uma noite, seu ex-futuro genro veio visitá-lo, como costumava fazer, para compartilhar de suas lamentações e saber as últimas notícias sobre sua amada desaparecida.<br />
Em uma conversa bem tardia frente à lareira em uma noite friorenta, ele contemplou o altar bem alto incrustado na parede onde residia o antigo amuleto sagrado da família <strong>Danaghar</strong>.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Hideaki-Shirou-1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6600" src="/wp-content/uploads/2012/09/Hideaki-Shirou-1.jpg" alt="" width="217" height="400" /></a></p>
<p>Após uma breve explicação sobre sua origem, Alethus ia se retirando com lágrimas nos olhos quando subitamente ouviu as seguintes palavras saírem da boca de seu convidado:</p>
<p><em> - Não sei se você pode me ouvir&#8230; À bem da verdade, não o conheço muito bem. Mas se você está me ouvindo, ó <strong>Nobre Dragão de Tamu-ra</strong>, traga minha amada <strong>Eliana</strong> de volta, ou despeje <strong>desolação</strong> e <strong>destruição</strong> sobre seus algozes em nome de sua <strong>HONRA</strong> e em <strong>JUSTIÇA</strong>.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p>Um estrondo enorme se seguiu, e luzes brilhantes misturadas as mais densas trevas saltaram violentamente do medalhão, acompanhadas do mais alto e aterrorizante rugido que qualquer um naquela mansão jamais havia presenciado em seu mais perturbador pesadelo, mas ao invés de pavor e desespero, aqueles que ali residiam sentiram fulgir esperança e poder dentro de si.</p>
<p>Alethus pensou que talvez aquela figura serpenteante que trespassava aquele pequeno item e se tornava um dragão alongado e poderoso pudesse ser o próprio Lin-Wu, mas assim que terminou de sair seja lá de onde estivesse saindo, sua voz trovejante se identificou como “<strong>O</strong>” protetor dos <strong>Danaghar</strong>, servo fiel do <strong>Imperador Dragão Lin-Wu</strong>, e responsável eternamente por descobrir o paradeiro de <strong>Eliana Danaghar</strong>.</p>
<p>Contou a eles que há séculos estava encerrado dentro do medalhão, e repousava adormecido enquanto sua existência ali irradiava <strong>Sorte</strong> (<em>Wynna</em>) e <strong>Proteção</strong> (<em>Lin-Wu</em>) para os <strong>Danaghar</strong> enquanto fossem <strong>fiéis</strong> aos preceitos de <strong>Lin-Wu</strong>.</p>
<p>Estava adormecido até o momento do sequestro, dois anos antes, quando despertou e <strong>não pôde</strong> cumprir seu dever, pois era necessário assim como foi dito a <strong>Alec Danaghar</strong> que “<em>quando algum Danaghar estivesse em necessidade de proteção ou auxílio, alguém orasse com fervor olhando em direção ao amuleto que assim seria respondido&#8230;</em>”</p>
<p>Agora ele estava <em>livre</em>, e iria seguir seu destino: <strong>Cumprir seu dever</strong>.<br />
Recusou terminantemente o auxílio de <strong>Alethus</strong> e do jovem prometido de <strong>Eliana</strong>, e mesmo enfraquecido partiu em busca de informações sobre o<strong> Enclave Herege</strong>.</p>
<p>Passou o último ano em sua busca, e no início estava apenas em sua forma dracônica, mas muito enfraquecido e diminuto. Foi perseguido, tratado com espanto e admiração, e alguns magos estudiosos até o consideraram um raro espécime a ser estudado.</p>
<p>Evoluiu, adquiriu poder, se tornou influente e aprendeu que o mundo mudou nestes séculos. Descobriu coisas sobre sua raça, que era agora um <strong>Krestlar</strong>, uma raça dracônica que nascia muito mais fraca que os dragões normais, mas poderia evoluir muito mais rápido que seus iguais. Por isso, agradeceu a <strong>Wynna</strong>, de coração. Com o passar do tempo, começou a fazer muito isso. Tanto que passou um bom tempo tentando reunir informações em templos da deusa pelo <strong>Reinado</strong>, tendo contato com seus clérigos.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Hideaki-Shirou-2.jpg"><img class="alignright  wp-image-6607" src="/wp-content/uploads/2012/09/Hideaki-Shirou-2.jpg" alt="" width="284" height="360" /></a></p>
<p><strong>Lin-Wu</strong> é seu <em>Eterno Senhor</em>, mas ele não poderia servi-lo fielmente da forma que queria se não fosse <strong>Wynna</strong>. Ela acabou proporcionando que a fé de <strong>Lin-Wu</strong> se espalhasse de <strong>Tamu-ra</strong> até <strong>Deheon</strong> e por todo <strong>Arton</strong>.</p>
<p>Possivelmente por causa disto que o <strong>Imperador Takametsu</strong> pôde transferir uma parte da corte real e alguns sobreviventes de <strong>Tamu-ra</strong> para o que depois veio a ser <strong>Nitamu-ra</strong> quando a <strong>Tormenta</strong> atacou.</p>
<p>E <strong>ele</strong> foi à ferramenta para que a fé se espalhasse.</p>
<p>Entendeu que servi-la não iria interferir sua adoração pelo seu <strong>Daymio Celestial</strong>, e se tornou também devoto dela. Depois de um tempo e algumas aventuras, adquiriu poder para se metamorfosear em uma criatura menos chamativa, e descobriu que a sua forma alternativa era um <strong>Qareen</strong>, um descendente de gênios nativos do plano de <strong>Wynna</strong>.</p>
<p>Mesmo ali, depois de tanto tempo ela ainda o ajudava a cumprir seu dever. A raça de sua forma alternativa era um sinal de <strong>Wynna</strong>, que agora também era parte de sua essência. Ele por si só <strong>exalava magia</strong>. E também <strong>exalava honra</strong>.</p>
<p>Adotou o nome de<strong> Hideoki Shirou</strong>, que em tamuriano arcaico quer dizer “<strong><em>Brilho Esplêndido da Pureza</em></strong>”, uma alusão a <strong>Lin-Wu</strong> e seu aspecto dracônico do <strong>Vácuo</strong>, simbolizando a união entre o positivo e o negativo, o <strong>Equilíbrio Eterno</strong>.</p>
<p>Assim, desbrava seu destino em busca de cumprir seu dever, honrando a seu <strong>Senhor</strong> decretando o equilíbrio em <strong>Arton</strong> e honrando também à <strong>deusa da Magia</strong>, expressando a ela aquela devoção e <strong>lealdade</strong> de um modo que ela <strong>nunca esperaria</strong> de um fiel, mas mesmo assim que tem um sabor tão agradável.</p>
<p>E é claro, trazendo a fúria ancestral de duas divindades sobre uma suposta organização secreta que <strong>ousou</strong> atravessar seu caminho.</p>
<p style="text-align: center"><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Hideaki-Shirou-Dragão.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-6583" src="/wp-content/uploads/2012/09/Hideaki-Shirou-Dragão.jpg" alt="" width="540" height="296" /></a></p>
<p style="text-align: center">
</blockquote>
<p>Créditos de Imagem:</p>
<p>01  <a href="http://garun.deviantart.com/">garun</a> ( http://bit.ly/PiysSp )<br />
02  <a href="http://peppercomics.deviantart.com/">PepperComics</a> ( http://bit.ly/RDFqxs )<br />
03  <a href="http://6nailbomb9.deviantart.com/">6nailbomb9</a> ( http://bit.ly/RNTXex )<br />
04  <a href="http://foowahu-etsy.deviantart.com/">foowahu-etsy</a> ( http://bit.ly/Piz0HZ )<br />
05  <a href="http://akyra.deviantart.com/">akyra</a> ( http://bit.ly/U4FaJS )<br />
06  <a href="http://yuumei.deviantart.com/">yuumei</a> ( http://bit.ly/OltXrJ )<br />
07  <a href="http://yuumei.deviantart.com/">yuumei</a> ( http://bit.ly/RDETLY )<br />
08  <a href="http://vampireprincess007.deviantart.com/">VampirePrincess007</a> ( http://bit.ly/RxvjQs )</p>
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		</item>
		<item>
		<title>&#8220;Os Biscoitos da Sorte Abençoados de Tamu-ra&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Sep 2012 21:33:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antunes Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Novas Classes e adaptações]]></category>
		<category><![CDATA[Adaptações]]></category>
		<category><![CDATA[Cenário]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Dragões]]></category>
		<category><![CDATA[TormentaRPG]]></category>

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		<description><![CDATA[Que levante a mão aquele que nunca leu &#8220;Holy Avenger&#8220;, nunca pegou numa das antigas aventuras da Dragão Brasil falando sobre templos de homens-serpente, labirintos de guerreiros minotauros ou ameaças de exércitos globinóides e ainda aquele que nunca sonhou empunhar Rhumnam, a sagrada espada do avatar do deus da Justiça&#8230; Ok, agora abaixe a mão&#8230; [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Lin-Wu.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6582" src="/wp-content/uploads/2012/09/Lin-Wu.jpg" alt="" width="600" height="395" /></a></p>
<p>Que levante a mão aquele que nunca leu &#8220;<strong><em>Holy Avenger</em></strong>&#8220;, nunca pegou numa das antigas aventuras da <strong><em>Dragão Brasil</em></strong> falando sobre templos de homens-serpente, labirintos de guerreiros minotauros ou ameaças de exércitos globinóides e ainda aquele que nunca sonhou empunhar <strong><em>Rhumnam</em></strong>, a sagrada espada do avatar do deus da Justiça&#8230;</p>
<p>Ok, agora abaixe a mão&#8230; Você está atraindo a <em>vergonha</em> sobre si&#8230;</p>
<p>Brincadeiras a parte, você gostando ou não, não pode negar a importância do famoso cenário de campanha<em> Tormenta</em> para o <strong>RPG</strong> no brasil.</p>
<p>Como pude compartilhar no meu primeiro post no blog (<em>que por sinal já pede uma parte 2)</em>, meu primeiro contato com o <strong>RPG</strong> foi em um livro-jogo, mas a compreensão do potencial desta coisa maravilhosa só veio mesmo com a <strong>DB 50</strong>.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Tormenta.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-6587" src="/wp-content/uploads/2012/09/Tormenta.jpg" alt="" width="241" height="400" /></a></p>
<p>Eis que recentemente em um súbito ataque de oportunidade, a paixão por este cenário voltou com tudo, e estou amando as novidades do <em>TormentaRPG</em>.</p>
<p>Chorei, chorei e consegui que meu querido mestre <strong>Antunes</strong> (<em>@Old_Paladin)</em> iniciasse uma campanha no cenário, e consegui ainda que eu pudesse testar um antigo sonho: Jogar com um <strong>Dragão</strong>!</p>
<p>Calma, peraí, não começarei com todos os poderes, mas evoluirei aos poucos, conforme avanço de nível. Um trabalho primoroso de criação de um talentoso <strong>RPG</strong>ista, confira:</p>
<p>Fórum Jambô: <a href="http://www.jamboeditora.com.br/forum/viewtopic.php?t=6071&amp;postdays=0&amp;postorder=asc&amp;start=0" target="_blank">Raça/Classe Krestlar para TormentaRPG</a></p>
<p>Encontrei este excelente material enquanto fuçava no fórum da <em>Jambô</em>, e deixo aqui para vocês o background de <strong><em>Hideaki Shirou</em></strong> (<em>significado: Brilho Esplêndido da Pureza</em>), um dragão do vácuo tamuriano que vivia a eternidade em<em> Sora</em> (plano celestial de<em> Lin-Wu</em>) mas veio a <strong>Arton</strong> por amor a seu <em><strong>Nobre Senhor Imperador Dragão</strong></em>.</p>
<p>O mestre adorou o background, então incentivado por ele, está aí a lenda da origem dos &#8220;<strong><em>Biscoitos da Sorte Abençoados de Tamu-ra</em></strong>&#8220;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><em>- Papai, você trouxe, você trouxe?<br />
-Sim, meu pequeno guerreiro&#8230; Assim como você sempre deseja, eu trouxe&#8230;<br />
-Obaaa!  Obaaa!  Papai, esta é a melhor parte do meu dia, quando o senhor volta de suas obrigações&#8230;<br />
- Fico feliz em ouvir isso&#8230; E mais feliz ainda pelo fato de você gostar tanto <strong>especialmente</strong> <strong>disto</strong>. Diga-me, já lhe contei a lenda sobre a origem dos famosos &#8220;Biscoitos da Sorte Abençoados de Tamu-ra&#8221;?</em></p>
<p><em> </em></p>
<p>O clima estava ameno ali. Sempre era naquela época do ano. E as pétalas rosadas das flores brilhantes dançavam ao vento. Elas sempre dançam nesta época do ano.<br />
<strong>Sora</strong>, o <em><strong>Plano Divino do Imperador Dragão Lin-Wu</strong></em> era o espelho perfeito de sua divindade: <strong>Beleza</strong>, <strong>Perfeição</strong> e <strong>Equilíbrio</strong>.</p>
<p>Mas aquele não era um dia comum, ao menos para <strong>um</strong> de seus habitantes. Seu nome fora perdido no tempo por aqueles que poderiam lembrar, e às vezes até mesmo entre alguns dos habitantes da <strong>Fortaleza Takayama</strong>, um colossal palácio onde seu topo investia contra as nuvens e singrava o céu.<br />
Ele vivia, assim como os outros habitantes, simplesmente para servir ao <strong>Imperador Dragão</strong> e não era uma criatura comum, mas sim um imponente e poderoso <strong>Dragão do Vácuo</strong>, a semelhança de seu próprio mestre.</p>
<p>No entanto, seu status não era tão alto quanto poderia ser, e na verdade isto não importava muito, tanto para ele quanto para qualquer outro, pois servir ao <strong>Senhor</strong> era a única coisa que era importante. E no fim, mesmo nas mais baixas castas, mesmo a espera durando milhares de anos, chegaria o dia que um dos servos poderia realizar a <strong>cerimônia do chá</strong> frente ao próprio <strong>Lin-Wu</strong>. Apesar das noções de tempo e espaço serem totalmente diferentes do plano material, de tempos em tempos <strong>Lin-Wu</strong> separava um leal servo e passaria uma tarde agradável em sua companhia, e o serviria em respeito e reconhecimento a seu valor.</p>
<p>E aquele era o dia <strong><em>dele</em></strong>, e ele se aprontou o melhor que pôde, e quando foi convocado à presença do <strong>Imperador</strong>, pôs-se a contemplá-lo com todo o seu poder, beleza, honra e perfeição.<br />
Mas uma coisa especial estava reservada para aquele dia. Nada escapa aos aguçados sentidos de uma divindade, e exatamente naquele momento, em paralelo à cerimônia do chá com seu servo, <strong>Lin-Wu</strong> percebeu que algo importante demais estava acontecendo.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Cultura.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6590" src="/wp-content/uploads/2012/09/Cultura.jpg" alt="" width="274" height="400" /></a></p>
<p>Longe dali, em <strong>Arton</strong> uma comitiva chegava a seu destino, após muitos e muitos quilômetros de viagem.<br />
<em>Alec Danaghar</em>, <em>Embaixador Real d’O Reinado</em> chegava com a primeira comitiva (<em>mais parecendo uma missão</em>) à ilha de <strong>Tamu-ra</strong>. Era o primeiro contato com aqueles estranhos humanos que viviam na outra parte do continente.<br />
<strong>Lin-Wu</strong> sabia e compreendia a importância daquele momento, e subitamente então, todos os seus servos celestiais também sabiam, porque ele quis assim. Foi ali que seu servo, a sua frente, soube que possivelmente sempre estaria na memória de seu Senhor, por motivo de estar presente em um momento tão importante.</p>
<p>Mas inesperadamente uma coisa aconteceu. <strong>Alec Danaghar</strong> se apaixonou. Apaixonou-se por <strong>Tamu-ra</strong>, sua cultura, seus costumes, seu povo, seu <strong>deus</strong>. Passou ali três semanas inteiras tecendo seus relatórios para seu rei, e neles, descreveu-os com tanta admiração e paixão que tocou até mesmo o próprio<strong> Imperador Dragão Lin-Wu</strong>.</p>
<p>Rapidamente era à tarde anterior ao dia da partida de <strong>Alec</strong>, mas em <strong>Sora</strong>, servo e senhor ainda contemplavam tal amor e admiração. E <strong>tristeza</strong>.</p>
<p>Alec não queria ir embora, e havia também contagiado seus conterrâneos. O <strong>Imperador de Jade de Tamu-ra</strong> também percebeu a aflição no rosto daquele <strong>gaijin</strong> que aprendeu a respeitar. E então, do fundo de seu coração, agradeceu a <strong>Lin-Wu</strong> por existir <em>Honra</em>, <em>Amor</em> e <em>Devoção</em> nas terras além mar.</p>
<p>O servo celestial olhou para seu <strong>Imperador Dragão</strong>. E então contemplou <strong>Arton</strong> novamente naquela que era a última noite em conjunto de pessoas que aprenderam a se respeitar e a se honrar.<strong> Tomou uma decisão</strong>.</p>
<p>O leal <strong>Dragão do Vácuo</strong> pediu a seu <strong>Senhor Dragão</strong> que de alguma maneira o permitisse servir a ele proporcionando ao jovem <strong>Alec</strong> a percepção verdadeira de que mesmo fora de<strong> Tamu-ra</strong> aquele povo, todo o seu modo de vida e o próprio<strong> Lin-Wu</strong> ainda estariam com ele.</p>
<p>Tal pedido agradou <strong>Lin-Wu</strong>. Agradou de tal forma que mesmo sabendo que não possuía poder fora de <strong>Tamu-ra</strong>, foi até o reino de <strong>Wynna</strong>, a deusa da magia e com ela forjou um trato, onde através de seu poder, permitiria de alguma forma manter sua proteção a <strong>Alec</strong>.</p>
<p><strong>Wynna</strong> por sua vez, analisou a situação e se compadeceu, e viu ali uma boa oportunidade de criar algo <strong>inteiramente novo</strong> através da <strong>Magia</strong>, e mesmo sabendo que não poderia ir contra este <strong>impulso criativo</strong> que a tomava por completo e a definia (<em>o que por conseqüência denotava que Lin-Wu a estava manipulando em favor próprio</em>) testou o servo do <strong>Imperador Dragão</strong>.</p>
<p>Disse a ele que poderia sim proporcionar tal acontecimento, se ele estivesse disposto a abdicar de tudo, em favor de servir ao seu <strong>Senhor</strong>, pois ela deveria usar no processo toda a centelha celestial de vida que residia nele.</p>
<p>Prontamente, o servo ajoelhou-se, e com rosto em terra, <strong>entregou-se</strong> ao seu destino, <strong>fosse ele qual fosse</strong>.</p>
<p>Ele mesmo não viu, mas a sempre alegre e exuberante <strong>Wynna</strong> olhou para <strong>Lin-Wu</strong> com uma solitária e teimosa lágrima em seu rosto inesquecível, emocionada frente a tanta <strong>fé</strong> e <strong>dedicação</strong>, sabendo que dificilmente receberia tal lealdade da maioria de seus adoradores (<em>ela mesma uma caótica divindade</em>).</p>
<p>Ajoelhado ali, ele ouviu a sentença definitiva de seu futuro:</p>
<p><strong><em>- Por tua Honra e Lealdade, servirás ao teu propósito entre os mortais, e serás tu mesmo um mortal. Mas pelo amor que demonstrou, terás em ti a capacidade de retornar ao teu status atual, liberando em ti a herança maior do poderoso Lin-Wu, assim como meu supremo dom, a prodigiosa Magia.</em></strong></p>
<p><strong>- Serás daqui por diante e para sempre guardião da família Danaghar, sua descendência e posteridade. Encerrarás em ti eternamente as bênçãos de Lin-Wu e o reconhecimento de Wynna.</strong></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Medalhão.jpg"><img class="alignright  wp-image-6593" src="/wp-content/uploads/2012/09/Medalhão.jpg" alt="" width="372" height="268" /></a></p>
<p>De repente tudo escureceu, e de alguma forma o servo fiel sabia que não possuía mais seu serpenteante corpo, patas ou até mesmo suas presas. Era em si mesmo<strong> só consciência</strong>, mas em si carregava as sementes de duas divindades.</p>
<p>Contemplou-se caindo eternamente por nuvens douradas de um avançado entardecer tamuriano, viu os fogos das festividades, e as luzes das casas, e contemplou um grande palácio, e então atravessou telhados e paredes, e móveis e pessoas, e caiu&#8230;   Em uma mesa de cozinha, cheia de massas de bolos e biscoitos.</p>
<p>Naquela noite, o imperador tamuriano fez um respeitável discurso, ausente de emoção como um bom tamuriano, mas assim mesmo inflado de admiração. Todos sentiram o clima de amizade verdadeira enquanto ele declarava abertas as portas para novas comitivas, e declarava também missões diplomáticas e acordos futuros a serem feitos com Deheon.</p>
<p>Como sinal de uma derradeira honra, ordenou que trouxessem os alimentos, e que <strong>Alec Danaghar</strong> fosse o primeiro a ser servido, o que por si só já seria uma quebra incomum do protocolo tamuriano.</p>
<p><strong>Alec</strong> sabia que não conseguiria se alimentar, mas decidiu que seria ruim se não o fizesse. Hesitantemente declarou a todos que gostaria de nunca partir, mas havia sua família para rever e seus deveres para cumprir, mas gostaria que pudesse levar consigo um pedaço de <strong>Tamu-ra</strong>.</p>
<p>Olhou para a mesa e o formato encravado na superfície de um biscoito chamou sua atenção. Nele, estava incrustada uma forma de dragão prateada semelhante ao seu recém descoberto <strong>Lin-Wu</strong>, e nenhum outro biscoito possuía aquele entalhe.</p>
<p>Ao pegá-lo, quebrou um pedaço e descobriu que aquele entalhe na verdade era um medalhão com as seguintes palavras entalhadas no seu verso: “<strong>Todas as Proteções ao que é Honrado</strong>”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Ninguém</strong> havia colocado aquele medalhão ali. Pois tentaram em vão por horas descobrir sua origem. O caso se tornou famoso, pois o imperador deu aquele medalhão de prata de presente para o <strong>gaijin</strong>, e declarou que agora, inegavelmente uma parte de <strong>Tamu-ra</strong> iria acompanhá-lo.</p>
<p>No dia seguinte, um sacerdote abençoou a partida da missão diplomática e contou a <strong>Alec</strong> que sonhou que aquele amuleto possuía a <strong>força de Lin-Wu</strong>, e que quando precisasse de proteção, orasse com fervor olhando em direção a ele que assim <strong>seria respondido</strong>.</p>
<p>Com o passar do tempo, os biscoitos se tornaram uma <strong>tradição</strong>, e as palavras entalhadas se tornaram pequenos bilhetes colocados em seu interior.</p>
<p>Mas em qualquer lugar que alguém comesse um “<strong>Biscoito da Sorte Abençoado</strong>”, saberia que <strong>Lin-Wu</strong> está sempre disposto a reconhecer a honra de qualquer um que a possua.</p>
<p style="text-align: center"><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Samurai.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-6597" src="/wp-content/uploads/2012/09/Samurai.jpg" alt="" width="630" height="289" /></a></p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Alec Danaghar</strong> se tornou o primeiro devoto de <strong>Lin-Wu</strong> fora de <strong>Tamu-ra</strong>, e com o passar do tempo seu fervor se espalhou por sua família. Os acordos com <strong>Tamu-ra</strong> foram estabelecidos e fortalecidos, e depois de anos, uma pequena comunidade se estabeleceu dentro do <strong>Reinado</strong>, mais especificamente em <strong>Valkaria</strong>.</p>
<p>O próprio <strong>Alec</strong> nunca voltou a <strong>Tamu-ra</strong>, mas aquele item de inestimável valor sentimental e religioso sempre ocupou posição de destaque em sua família, e admiração de seus vizinhos, amigos e familiares. Ao passar dos anos, <strong>Lin-Wu</strong> começou a ser venerado também em <strong>Deheon</strong> (<em>mesmo que pouco influente</em>) e a família <strong>Danaghar</strong> se tornou próspera e poderosa dentro da aristocracia do reinado.</p>
<p>Todos os <strong>Danaghar</strong> sabiam que o medalhão “<em>sagrado</em>” de seu antepassado não era um item mundano e comum, mas ninguém sabia realmente o que ele fazia. Até recentemente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Alethus Danaghar</strong> é o atual patriarca, e segue fielmente o código de conduta da família, que é por conseqüência <strong>os preceitos de Lin-Wu</strong>. Suas relações com <strong>Nitamu-ra</strong> são estreitas e fortes, e ele é um dos poucos que gozavam de relativa abertura nos momentos antes da libertação de <strong>Tamu-ra</strong> da área de <strong>Tormenta</strong> que lá havia, e agora ele possui ainda mais contatos.</p>
<p>O problema é que há três anos sua filha <strong>Eliana</strong> foi prometida a um duque de um reino vizinho, e viajou para se encontrar com seu futuro senhor e marido, para passar uma temporada com seus futuros familiares. No meio da viagem, desapareceu sem deixar rastros, deixando como pista apenas uma palavra escrita com sangue na empoeirada estrada de terra batida por um de seus muitos guardas moribundos: <strong>Enclave Herege</strong>.</p>
<p>Depois de dois anos lutando para descobrir o paradeiro de sua filha, com dor e sofrimento, gastando somas incontáveis de dinheiro com mercenários, investigadores e aventureiros, <strong>Alethus</strong> desistiu de acreditar que <strong>Eliana</strong> pudesse estar viva. Mas mesmo assim, queria <strong>vingança</strong>.</p>
<p>Uma noite, seu ex-futuro genro veio visitá-lo, como costumava fazer, para compartilhar de suas lamentações e saber as últimas notícias sobre sua amada desaparecida.<br />
Em uma conversa bem tardia frente à lareira em uma noite friorenta, ele contemplou o altar bem alto incrustado na parede onde residia o antigo amuleto sagrado da família <strong>Danaghar</strong>.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Hideaki-Shirou-1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6600" src="/wp-content/uploads/2012/09/Hideaki-Shirou-1.jpg" alt="" width="217" height="400" /></a></p>
<p>Após uma breve explicação sobre sua origem, Alethus ia se retirando com lágrimas nos olhos quando subitamente ouviu as seguintes palavras saírem da boca de seu convidado:</p>
<p><em> - Não sei se você pode me ouvir&#8230; À bem da verdade, não o conheço muito bem. Mas se você está me ouvindo, ó <strong>Nobre Dragão de Tamu-ra</strong>, traga minha amada <strong>Eliana</strong> de volta, ou despeje <strong>desolação</strong> e <strong>destruição</strong> sobre seus algozes em nome de sua <strong>HONRA</strong> e em <strong>JUSTIÇA</strong>.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p>Um estrondo enorme se seguiu, e luzes brilhantes misturadas as mais densas trevas saltaram violentamente do medalhão, acompanhadas do mais alto e aterrorizante rugido que qualquer um naquela mansão jamais havia presenciado em seu mais perturbador pesadelo, mas ao invés de pavor e desespero, aqueles que ali residiam sentiram fulgir esperança e poder dentro de si.</p>
<p>Alethus pensou que talvez aquela figura serpenteante que trespassava aquele pequeno item e se tornava um dragão alongado e poderoso pudesse ser o próprio Lin-Wu, mas assim que terminou de sair seja lá de onde estivesse saindo, sua voz trovejante se identificou como “<strong>O</strong>” protetor dos <strong>Danaghar</strong>, servo fiel do <strong>Imperador Dragão Lin-Wu</strong>, e responsável eternamente por descobrir o paradeiro de <strong>Eliana Danaghar</strong>.</p>
<p>Contou a eles que há séculos estava encerrado dentro do medalhão, e repousava adormecido enquanto sua existência ali irradiava <strong>Sorte</strong> (<em>Wynna</em>) e <strong>Proteção</strong> (<em>Lin-Wu</em>) para os <strong>Danaghar</strong> enquanto fossem <strong>fiéis</strong> aos preceitos de <strong>Lin-Wu</strong>.</p>
<p>Estava adormecido até o momento do sequestro, dois anos antes, quando despertou e <strong>não pôde</strong> cumprir seu dever, pois era necessário assim como foi dito a <strong>Alec Danaghar</strong> que “<em>quando algum Danaghar estivesse em necessidade de proteção ou auxílio, alguém orasse com fervor olhando em direção ao amuleto que assim seria respondido&#8230;</em>”</p>
<p>Agora ele estava <em>livre</em>, e iria seguir seu destino: <strong>Cumprir seu dever</strong>.<br />
Recusou terminantemente o auxílio de <strong>Alethus</strong> e do jovem prometido de <strong>Eliana</strong>, e mesmo enfraquecido partiu em busca de informações sobre o<strong> Enclave Herege</strong>.</p>
<p>Passou o último ano em sua busca, e no início estava apenas em sua forma dracônica, mas muito enfraquecido e diminuto. Foi perseguido, tratado com espanto e admiração, e alguns magos estudiosos até o consideraram um raro espécime a ser estudado.</p>
<p>Evoluiu, adquiriu poder, se tornou influente e aprendeu que o mundo mudou nestes séculos. Descobriu coisas sobre sua raça, que era agora um <strong>Krestlar</strong>, uma raça dracônica que nascia muito mais fraca que os dragões normais, mas poderia evoluir muito mais rápido que seus iguais. Por isso, agradeceu a <strong>Wynna</strong>, de coração. Com o passar do tempo, começou a fazer muito isso. Tanto que passou um bom tempo tentando reunir informações em templos da deusa pelo <strong>Reinado</strong>, tendo contato com seus clérigos.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Hideaki-Shirou-2.jpg"><img class="alignright  wp-image-6607" src="/wp-content/uploads/2012/09/Hideaki-Shirou-2.jpg" alt="" width="284" height="360" /></a></p>
<p><strong>Lin-Wu</strong> é seu <em>Eterno Senhor</em>, mas ele não poderia servi-lo fielmente da forma que queria se não fosse <strong>Wynna</strong>. Ela acabou proporcionando que a fé de <strong>Lin-Wu</strong> se espalhasse de <strong>Tamu-ra</strong> até <strong>Deheon</strong> e por todo <strong>Arton</strong>.</p>
<p>Possivelmente por causa disto que o <strong>Imperador Takametsu</strong> pôde transferir uma parte da corte real e alguns sobreviventes de <strong>Tamu-ra</strong> para o que depois veio a ser <strong>Nitamu-ra</strong> quando a <strong>Tormenta</strong> atacou.</p>
<p>E <strong>ele</strong> foi à ferramenta para que a fé se espalhasse.</p>
<p>Entendeu que servi-la não iria interferir sua adoração pelo seu <strong>Daymio Celestial</strong>, e se tornou também devoto dela. Depois de um tempo e algumas aventuras, adquiriu poder para se metamorfosear em uma criatura menos chamativa, e descobriu que a sua forma alternativa era um <strong>Qareen</strong>, um descendente de gênios nativos do plano de <strong>Wynna</strong>.</p>
<p>Mesmo ali, depois de tanto tempo ela ainda o ajudava a cumprir seu dever. A raça de sua forma alternativa era um sinal de <strong>Wynna</strong>, que agora também era parte de sua essência. Ele por si só <strong>exalava magia</strong>. E também <strong>exalava honra</strong>.</p>
<p>Adotou o nome de<strong> Hideoki Shirou</strong>, que em tamuriano arcaico quer dizer “<strong><em>Brilho Esplêndido da Pureza</em></strong>”, uma alusão a <strong>Lin-Wu</strong> e seu aspecto dracônico do <strong>Vácuo</strong>, simbolizando a união entre o positivo e o negativo, o <strong>Equilíbrio Eterno</strong>.</p>
<p>Assim, desbrava seu destino em busca de cumprir seu dever, honrando a seu <strong>Senhor</strong> decretando o equilíbrio em <strong>Arton</strong> e honrando também à <strong>deusa da Magia</strong>, expressando a ela aquela devoção e <strong>lealdade</strong> de um modo que ela <strong>nunca esperaria</strong> de um fiel, mas mesmo assim que tem um sabor tão agradável.</p>
<p>E é claro, trazendo a fúria ancestral de duas divindades sobre uma suposta organização secreta que <strong>ousou</strong> atravessar seu caminho.</p>
<p style="text-align: center"><a href="/wp-content/uploads/2012/09/Hideaki-Shirou-Dragão.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-6583" src="/wp-content/uploads/2012/09/Hideaki-Shirou-Dragão.jpg" alt="" width="540" height="296" /></a></p>
<p style="text-align: center">
</blockquote>
<p>Créditos de Imagem:</p>
<p>01  <a href="http://garun.deviantart.com/">garun</a> ( http://bit.ly/PiysSp )<br />
02  <a href="http://peppercomics.deviantart.com/">PepperComics</a> ( http://bit.ly/RDFqxs )<br />
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04  <a href="http://foowahu-etsy.deviantart.com/">foowahu-etsy</a> ( http://bit.ly/Piz0HZ )<br />
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08  <a href="http://vampireprincess007.deviantart.com/">VampirePrincess007</a> ( http://bit.ly/RxvjQs )</p>
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		<item>
		<title>Lendas Esquecidas #10 &#8211; O Beijo Gelado</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Sep 2012 11:30:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagocroft</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lendas Esquecidas]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Storyteller]]></category>
		<category><![CDATA[Vampiro: A máscara]]></category>
		<category><![CDATA[World of Darkness]]></category>

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		<description><![CDATA[O Beijo Gelado                        ESTAVA FRIO.           Frio como minha alva pele macia e lustrosa, como o luar daquela noite, que só não se equiparava com a bela lua cheia deste sábado sombrio.             Meus trajes eram negros como a noite. A boca rubra sobressaía ofuscada talvez só pelos meus olhos hipnotizantes como duas [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><strong><em>O Beijo Gelado</em></strong></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>           </em><em></em></p>
<p><em> <a href="/wp-content/uploads/2012/09/1137003728_vampires_8.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6560" src="/wp-content/uploads/2012/09/1137003728_vampires_8-150x300.jpg" alt="" width="150" height="300" /></a>        <em> ESTAVA FRIO.</em></em></p>
<p><em>          Frio como minha alva pele macia e lustrosa, como o luar daquela noite, que só não se equiparava com a bela lua cheia deste sábado sombrio.</em><em></em></p>
<p><em>            Meus trajes eram negros como a noite. A boca rubra sobressaía ofuscada talvez só pelos meus olhos hipnotizantes como duas esmeraldas brutas.</em><em></em></p>
<p><em>            Assim saí à quarta hora após se pôr meu temido sol. Caminhando lentamente pelas ruas ainda alagadas pela chuva da noite anterior. As pessoas já se recolhiam para o conforto de suas casas, mas ainda havia aquelas mais ousadas que permaneciam até mais tarde na solidão e perigo da noite, perigo de meu beijo gelado.</em><em></em></p>
<p><em>            Eu cruzava agora uma ponte arqueada que ligava a cidade por sobre o rio. E foi nesta ponte que eu a vi. Parada. Mirando em algo além do que meus olhos puderam perceber, ainda. </em></p>
<p><em>            Sua pele era tão branca quanto a minha, com lábios bem feitos e semi cerrados que logo me deixaram apaixonado. Ela vestia uma calça jeans baixa e uma jaqueta negra que se confundia com os cachos também negros de seu longo cabelo.</em><em></em></p>
<p><em>            Conforme eu me aproximava, sentia sua mente se ligando a minha, sua alma e a minha eram uma só. Ela tentava fugir de minha mente, banir seus pensamentos de mim, no entanto eu já havia ganhado. Já a dominara.</em><em></em></p>
<p><em>          <a href="/wp-content/uploads/2012/09/the-lonely-vampire-large-msg-11835468064.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-6561" src="/wp-content/uploads/2012/09/the-lonely-vampire-large-msg-11835468064-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>  Contudo foi quando me postei a sua frente, que  pode me vencer. Entreguei-me à ela, não pude resistir a sua beleza exuberante. </em><em></em></p>
<p><em>            Com dois olhos negros e puxadinhos, quase oriental. Percebi que um filete vermelho tingindo-lhe a face próxima ao queixo. A pele denunciava-a, éramos iguais, ambos carregávamos o fardo sombrio e eterno.</em><em></em></p>
<p><em>         Ela então me abraçou. Suas lágrimas de sangue escorreram pelo meu ombro. Acabara de fazer sua primeira vítima, sua primeira morte. Dor que eu também sentira havia séculos. Então soube o que fazer na mesma hora; e acho que eu mesmo precisava de um pouco disso. Sangue! </em><em></em></p>
<p><em>            Beijei seu pescocinho e me encaminhei para seus lábios onde a beijei. Conforme nos beijávamos mordi a língua dela e ela a minha. Seu sangue descia-me doce pela garganta e sei que o meu também a inundava.</em><em></em></p>
<p><em>            Depois disso, ela se afastou. Olhou as horas no relógio de pulso e fugiu de mim, sem se despedir ou ao menos me dizer seu nome. Fiquei ali parado; sem reação; ainda estava freneticamente abalado, desestruturado pelo néctar que acabara de beber&#8230; E eu nunca mais tornei a vê-la nesta minha não vida.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Lendas Esquecidas #9 &#8211; A patrulha, o intruso e a partida</title>
		<link>http://sonaopodetirarum.com.br/2012/08/14/lendas-esquecidas-9-a-patrulha-o-intruso-e-a-partida/</link>
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		<pubDate>Tue, 14 Aug 2012 10:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antunes Rocha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lendas Esquecidas]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Dagga estava sem fôlego quando alcançou o alto da montanha. Seus pés, grandes, ferviam como brasa, mas não o deixaram na mão. A subida nas Tamandarins, as montanhas gêmeas, não era fácil, mas não era isso que afligia o grandalhão. – Intruso! – cuspiu ao avistar seus companheiros de patrulha. Rubracor e Cuspidor saltaram das [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="/wp-content/uploads/2012/07/lendas12.jpg"><img src="/wp-content/uploads/2012/07/lendas12.jpg" alt="" title="lendas1" width="610" height="300" class="aligncenter size-full wp-image-5652" /></a></p>
<p>Dagga estava sem fôlego quando alcançou o alto da montanha. Seus pés, grandes, ferviam como brasa, mas não o deixaram na mão. A subida nas Tamandarins, as montanhas gêmeas, não era fácil, mas não era isso que afligia o grandalhão.</p>
<p>– Intruso! – cuspiu ao avistar seus companheiros de patrulha.<br />
	Rubracor e Cuspidor saltaram das posições onde estavam. Silas levantou devagar palitando os dentes.<br />
	– Porque carrega tantas coisas, Rubracor? Um dia você vai mostrar o nosso caminho ao inimigo. – Silas fez ouvir seu vozerão.<br />
	– Acho que temos assuntos mais sérios, Silas. Não é hora para tratar das coisas que carrego e não, nunca nos atrapalhou. – respondeu Rubracor com urgência na voz.<br />
	– Intruso! – disse mais uma vez Dagga, confuso por não lhe darem atenção e estarem discutindo por algo sem importância naquele momento.<br />
	– Acalme-se, Dagga, recupere o fôlego e conte-nos o que viu. – como de costume, o vozerão calou a todos.<br />
	– No rio&#8230; Um viajante&#8230; – a tensão tomara conta do ar dos pulmões e este teimava em continuar falando.<br />
	Os bons olhos de Silas procuraram na direção do rio.<br />
	– Posso ver daqui&#8230;<br />
	Spich! Cuspidor cuspiu antes de falar.<br />
	– O que estão esperando? Vamos saber o que ele quer por aqui. – Cuspidor falava e endireitava as correntes que usava como cinturão para segurar os trapos que chamava de calças. Silas sorria sempre que presenciava a cena.<br />
	– Não vamos assim. Temos que saber mais do invasor. – ordenou Rubracor, o meio-gigante de pele vermelha.</p>
<p>	Os meio-gigantes se entreolharam como de costume quando Rubracor tentava dar uma ordem. Sempre quisera ser líder daquela patrulha, mas nunca teve a aprovação dos seus companheiros e, até que o atual caísse em batalha ou por qualquer outro motivo, este seria Silas Trovejador.</p>
<p>	Silas olhou para as nuvens e procurou para que lado o vento soprava.</p>
<p>	– Podemos cercar ele e saber o que ele quer aqui. – insistiu Rubracor com seu plano,<br />
	– Spich! Pela correnteza Rubracor, fecha a matraca! – Cuspidor passou por todos e encostou o narigão no nariz fino de Rubracor. Já estava com a mão na espada curta embainhada que usava como adaga.<br />
	– Ele é um homem, companheiros, e trás muitas bolsas.<br />
	– Um homenzinho que vende coisas. – Silas concluiu para Dagga.<br />
	– Precisamos falar com e&#8230; – Rubracor não terminou a frase com temor da reação do grupo. Cuspidor voltava a encará-lo de perto.<br />
	– Juntem suas coisas, vamos descer. – ordenou o bronzeado meio-gigante e líder da patrulha.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/02/meio-gigante-e1328279573996.jpg"><img src="/wp-content/uploads/2012/02/meio-gigante-e1328279573996-300x215.jpg" alt="" title="meio gigante" width="300" height="215" class="alignleft size-medium wp-image-1446" /></a></p>
<p>	Para os meio-gigantes “coisa” definia bem tudo que desconheciam, e o que conheciam também! Ferramentas, armas e armaduras, utensílios e tudo mais que eles conseguissem carregar nas costas ou na cintura.</p>
<p>	A descida era íngreme, mas não para eles. Todos estavam acostumados com aquelas montanhas, o mais novo da patrulha, Cuspidor, nunca havia saído dali, aliás, nascera e criara-se nas montanhas gêmeas.</p>
<p>	Logo alcançaram os Cachos de Ravarindar. Estava sempre cheia de vida e ativamente movimentada. A paz que reinava no lugar desinibia as criaturas, que além do Povo da Montanha, como eram conhecidos os meio-gigantes pelos seres do bosque, ninguém mais ousou colocar os pés lá, exceto aquele humano.</p>
<p>	Mariposas luminosas e escliches, os duendes voadores, viviam suas vidas livremente. Qualquer outra raça acharia no mínimo curioso, o fato dos habitantes dos bosques não estranharem a presença dos meio-gigantes. Os grandalhões apesar de desengonçados mantinham a harmonia com os Cachos de Ravarindar, e mais, os protegiam. De quê, não se sabia, pois nenhuma ameaça tinha se feito presente após a famosa Invasão, quando o pai de Silas e ele, ainda muito jovem, protegeram o bosque dos demônios Lambares.</p>
<p>	Liderados por Silas, rapidamente a patrulha chegou às margens do Filete, um rio de “proporções pequenas” para os meio-gigantes, que margeava o bosque. Ele estendeu a palma da mão e cada um tomou sua posição por trás das árvores.</p>
<p>	O homenzinho libertou-se da grande bolsa. Não se preocupava em chamar atenção, Silas notou. Agora ele a abria e retirava uma caixinha prateada e dentro dela um saco de couro, talvez de coelho. Rubracor estava maravilhado com tudo aquilo, Cuspidor impaciente e Dagga quieto, parecia amedrontado.</p>
<p>	“Que tipo de feitiço aquilo pode ter?” se perguntou.</p>
<p>	Despreocupado, o homenzinho juntou alguns galhos finos e fez o seu primeiro &#8220;feitiço&#8221;. Ele retirou da bolsa de couro duas pequenas pedras, choco-as e criou fogo, instantâneo! Cuspidor pensou cuspir, Rubracor se conteve soltando uma bufada, enquanto Dagga e Silas se concentravam no intruso.</p>
<p>	Os ruídos que seguiram eram ruídos de animais, grunhidos, latidos, berros e rosnados que aos ouvidos de um desconhecido eram apenas sons dos animais do bosque, mas para os meio-gigantes, e em especial os membros daquela patrulha, eram comandos para aproximação e abordagem ao invasor.</p>
<p>	O homenzinho continuou seu ritual. Sim, um ritual, fazia com tanta maestria e leveza que passava a sensação que ele poderia fazer aquilo pelo resto dos seus dias. Retirou um bule e colocou água para ferver, retirou um pires, uma xicara, um pequeno pote com um granulado branco, uma colherzinha e o chá já estava pronto.</p>
<p>	O que intrigava Silas, que já estava as suas costas, era o fato do homem permanecer completamente à vontade e despreocupado. “O que estava tramando?”, ele não sabia, mas estava despreocupado ou queria chamar atenção e ser achado.</p>
<p>	Já tinha dado de cara com um sujeito com essas características, não esquecia. Roupas finas, bem trabalhadas, sapatos&#8230; Sim, sapatos. “Pela correnteza! Para quê servia aquilo?”, um chapéu, um cinturão de fivela dourada e muito bonito. E nas costas a grande bolsa, ou um fardo? Era muito pesado. Um ar de riso nos lábios e estranhamente doce, cheio de palavras na boca.</p>
<p>	O homem retirou uma caderneta de anotações enquanto Silas se aproximava pelas suas costas. Os outros estavam em alerta e com ordens para atacar ao seu sinal.</p>
<p>	– Primeira anotação&#8230; Não tive que esperar muito. Deu até para tomar uma xícara de chá. Você é muito lento&#8230; Qual é o seu nome?</p>
<p>	A respiração de Silas parou por alguns segundos quando o homem bem vestido girou para encará-lo. As adagas estavam a postos, porém ele não reagiu. A patrulha permaneceu perplexa diante da negativa do seu líder, esperavam pelo sinal de Silas.</p>
<p>	– Hmmm – gemou o homem avaliando a situação e a face esganiçada de Silas. “Raciocínio lento&#8230;” escreveu sem dizer nada.<br />
	– Se acha esperto, homem da bolsa? – perguntou Silas com uma das adagas rapidamente posta no pescoço fino do sujeito, fazendo-o ergue a cabeça e voltar a olhar nos seus olhos castanhos.</p>
<p>	Aos poucos surgiram Dagga, Cuspidor e por último o barulhento Rubracor.</p>
<p>	– Não me acho tão esperto, meu amigo grandalhão – disse enquanto levantava fechando a caderneta e guardando em um dos tantos bolsos do seu casaco cor de rubi – Porém não pude deixar de ouvir o ruído do seu chocalho ambulante. – e virou-se para admirar Rubracor e suas tralhas.</p>
<p>	Realmente, a visão que um humano poderia ter de Rubracor era a de um chocalho ambulante, ou uma porta-treco, tudo estava pendurado nele, podia-se ver até crânios de vários tipos de animais abatidos.</p>
<p>	– Você fala muito bem a minha língua, grandalhão, com quem aprendeu?<br />
	– Essa é a nossa fala! – devolveu com aspereza o meio-gigante que continuava inquieto, pois até agora não sabia das intenções do homem.<br />
	– Ele veio nos ver, Silas. – concluiu Rubracor.<br />
	– Silas! Então você tem um nome, gigante, e é um nome da minha gente.</p>
<p>	Se estivesse muito perto de Rubracor, Silas o teria estrangulado. Rubracor entregara a sua identidade a um desconhecido.</p>
<p>	Silas apertou a adaga e esta tirou um fio de sangue do pescoço do homem que continuava firme a sua frente.</p>
<p>	– Não se zangue – disse o homem já com o sorriso desfeito no rosto, sentia dor e a fria lâmina do meio-gigante. – meu nome é Malvo Cantiga e vim a mando Eder, Rei de toda Costa Larga! – Malvo pareceu um arauto anunciando a entrada de um rei.</p>
<p>	Mesmo após saber o nome do homem, Silas continuou incerto. Dagga também.</p>
<p>	O jovem meio-gigante, Cuspidor, montava guarda. Estava de olho nos arbustos e árvores para não serem pegos de surpresa.</p>
<p>	– Por que veio para cá, homem Malvo?<br />
	– Eder, Rei de toda Costa Larga – falou como arauto novamente. – soube da existência da sua raça tão próxima aos seus domínios e ordena a presença do líder do seu povo para jurar lealdade.<br />
	– Silas não vai a lugar nenhum, homem Malvo! – decretou Dagga.<br />
	– Eu posso ir, Silas. – ofereceu-se Rubracor e mais uma vez todos o encaram, inclusive o Malvo, intrigado.<br />
	– Quem é o seu líder? – questionou Malvo afastando a lâmina fria de Silas da sua garganta – E em sinal da boa vontade trago presentes, para todos! – Malvo olhou para Rubracor.</p>
<p>	Rubracor ficou excitado com a ideia de novas coisas “úteis” para carregar, Silas percebeu. Dagga desaprovou a ideia balançando a cabeça negativamente, Cuspidor não opinou.</p>
<p>	– Não sou dono dos seus passos, Rubracor. Seus pais não estão mais entre nós e você já é feito o suficiente para decidir sua vida. Vá como o homem Malvo se quiser, mas não volte para as Tamandarins. Não será bem vindo se partir, temos que proteger nosso povo e nosso lar.</p>
<p> 	Do alto da montanha, Dagga, Cuspidor e Silas acompanhavam a partida de Rubracor para longe, junto com Malvo Cantiga, um dos homens libertos. De repente outros libertos surgiram às costas da dupla, talvez tenham sido eles que deixaram Dagga e Silas inquietos, mas só agora eles tinha se revelado. Espancaram Rubracor, retiraram-lhe as tralhas que carregava, acorrentaram-no e o levaram, tudo isso sob as ordens de Malvo.</p>
<p>	Os meio-gigantes observaram tudo de longe e incapazes. Dagga e Cuspidor aguardaram ordens do líder.<br />
	– Vamos trazê-lo de volta&#8230; – eles ouviram antes que Silas descesse as Tamandarins aos pulos, com ódio nos olhos.</p>
<hr />
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<hr />
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		<title>Lendas Esquecidas #8 &#8211; O Encontro</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jul 2012 11:30:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagocroft</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lendas Esquecidas]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Copacabana — faz frio e chove pouco. Há duas noites caminho entre os vivos, mas não sou mais um deles e sei disso. E aos poucos comecei a perceber que, mesmo que poucos, existem outros como eu. Caçadores noturnos sedentos por sangue. Vampiros. Minha história começou há duas noites, quando acordei parecendo um bêbado, mas [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="/wp-content/uploads/2012/07/photo-11.jpg.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5653" src="/wp-content/uploads/2012/07/photo-11.jpg.jpg" alt="" width="600" height="396" /></a>Copacabana — faz frio e chove pouco.</strong></p>
<p>Há duas noites caminho entre os vivos, mas não sou mais um deles e sei disso. E aos poucos comecei a perceber que, mesmo que poucos, existem outros como eu. Caçadores noturnos sedentos por sangue. <strong>Vampiros</strong>.</p>
<p>Minha história começou há duas noites, quando acordei parecendo um bêbado, mas se era bêbado, deveria estar com uma enorme ressaca, pois a sede era absurda. Foi quando descobri o que havia me tornado, pois ataquei uma jovem que comemorava o <strong>Carnaval</strong> com alguns amigos e bebi todo o seu sangue.</p>
<p>Uma voz em minha cabeça pedia para parar, mas eu não conseguia. Então eu matei. Pela primeira vez em meus vinte e cinco anos de vida, matei uma pessoa. E o pior, pensei que fosse sentir o mínimo de remorso e não houve nada. Uma voz em minha cabeça dizia <em>“bom, posso conviver com isto.”</em> Mas ainda não me parecia certo.</p>
<p>Contudo, a fome vinha todas as noites, cada vez mais forte&#8230; mais fome. É como se um monstro interior devorasse minhas entranhas e clamasse sempre por sangue. Sempre, sempre, sempre!</p>
<p>Alias, não só o sangue vem sendo um problema, existem ainda os problemas com fogo e sol. Quando a noite se foi, naquele fim de Carnaval, o sol começou a nascer devagar no horizonte, senti minhas pálpebras queimando e o rosto formigando de leve com o mínimo de claridade que nele se abateu. Um sono repentino me acercou e tive que lutar para não cair dormindo no chão.</p>
<p>Lutando contra o sono e buscando desesperadamente um lugar para me esconder do sol, corri por entre becos e ruelas. Algumas pessoas começavam a chegar ao centro da cidade para mais um dia de trabalho e eu passei trombando por elas. Devem ter achado estranho, mas o mais provável terem achado que eu fosse algum trombadinha correndo de policiais.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/07/METRO_RIO_SIQUEIRA_CAMPOS_014.jpg"><img class="alignright  wp-image-5654" src="/wp-content/uploads/2012/07/METRO_RIO_SIQUEIRA_CAMPOS_014.jpg" alt="" width="384" height="288" /></a>  Lancei-me metrô adentro e usei meu último bilhete —<em> bendita hora que o bilheteiro ofereceu-me a comprar a volta, e eu aceitei!</em> —  Ali dentro já não precisava me preocupar com o perigo do sol, mas ainda precisava vencer o sono e encontrar um lugar seguro para passar o dia. Afinal, <em>apenas vampiros de Hollywood tinham seus caixões</em> para dormirem enquanto o sol queimava os idiotas que ficassem do lado de fora, como eu. Mas não sei se conseguiria dormir num caixão, tudo bem que nunca fui fã de sol, mas um caixão era demais pra mim. Passar alguns segundos no elevador, parecia levar uma eternidade. E quando estava lotado então, putz&#8230;</p>
<p>A estação da <strong>Cinelândia</strong> não estava cheia. O trem que passara com alguns trabalhadores já se fora e eu a tinha agora só para mim. Que se danem os guardas do metrô, eu não podia perder tempo. Saltei para os trilhos ao mesmo tempo em que a mensagem de “senhores passageiros não ultrapassem a faixa amarela&#8230;” era emitida pelos alto-falantes.</p>
<p>Corri numa direção qualquer e estremeci ao ouvir o som de mais um trem vindo em minha direção. Olhei desesperadamente por um abrigo, e avistei poucos metros à frente. Saltei para dentro dele, momentos antes do trem passar zunindo atrás de mim.</p>
<p>Não tinha mais energia alguma, naquela alcova, em meio à ratos e baratas, novamente&#8230; tal como em meu Despertar, eu dormi e ali passei o primeiro dia de minha existência na nova vida. Cheio de dúvidas e incertezas. Precisaria buscar respostas.</p>
<p>Quem eu era? E minha vida normal? Meus parentes e amigos? Como prosseguir?</p>
<p>&#8230; foram estas perguntas que me trouxeram até <strong>Copacabana</strong>. Há duas noites que venho me adaptando. Percebi que minha força hoje é maior e meus sentidos também se aguçaram. No entanto, não sei se os poderes que mostram nos filmes, são verdadeiros ou não, pois não sei se eu é quem não sei utilizá-los, ou se não existem mesmo.</p>
<p>Foi caçando na Avenida Atlântica, que me deparei com outro vampiro. Ou melhor, uma vampira. Extremamente sexy, sedutora, linda e fatal.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/07/Rosario_Dawson-1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-5655" src="/wp-content/uploads/2012/07/Rosario_Dawson-1-218x300.jpg" alt="" width="218" height="300" /></a>     Ela estava caçando também. Utilizara o disfarce de prostituta para se aproveitar dos turistas obcecados por mulatas brasileiras, dos empresários adúlteros e trouxas que desperdiçam todos os meses uma pequena fortuna por uma transa casual.</p>
<p>Ela era mulata com cabelos alisados e trajava roupas curtas e provocantes. Com um imenso salto alto e uma pequena bolsinha no ombro. Os olhos eram cobertos por uma silhueta delineadora que apresentava um olhar sedutor e fatal. Qualquer que fosse o homem — e talvez até mulher —, cairia na rede daquela viúva-negra.</p>
<p>Percebi logo o momento do ataque! Ela seduziu um senhor de meia-idade e caminhou com ele para dentro da Praça do Lido, seria lá o local do abate.</p>
<p>Não atrapalhei sua alimentação, me esgueirei pelos cantos e saltei a grade. Aguardei até que ela terminasse e soltasse o corpo vazio do pobre coitado até o chão. Quando ela começou a se afastar, pude ver sua pele se tornando mais bronzeada do que anteriormente, era o sangue dele se transformando dentro dela e lhe dando uma aparência falsa de vida humana.</p>
<p>— &#8230; é, dá licença moça&#8230;</p>
<p>Ela se virou com um olhar que me fulminou. Olhou ao redor para se certificar de que estávamos a sós.</p>
<p>— O que <em>cê</em> quer?</p>
<p>— Eu&#8230; er&#8230; percebi que temos algo em comum, queria saber&#8230;</p>
<p>— Se <em>cê</em> é michê, <em>num</em> posso fazer nada. Num <em>sô</em> puta porque escolhi, faço <em>cadiquê</em> o dinheiro é fácil e é tudo que sei fazer.</p>
<p>— Eu falava com relação de sermos&#8230;</p>
<p>Então revelo minha face vampiresca para ela. Apresento minhas presas.</p>
<p>No mesmo instante, quase como que reagindo por instinto, ela arregala os olhos e apresenta também suas presas e se eriça como um gato pronto para brigar. O tom de seus olhos muda para um amarelo dourado e sinto, tenho que admitir, um pavor de sua presença intimidadora.</p>
<p>— Calma, calma gatinha — eu digo a ela tentando acalmá-la —, não estou querendo arrumar briga não. Só vim atrás de você porque percebi que éramos iguais e preciso de algumas respostas.</p>
<p>A chuva começa a apertar.</p>
<p>— Quanto tempo que <em>cê</em> é assim?</p>
<p>— Dois dias. Acordei no último dia de carnaval, e ataquei uma garota.</p>
<p>Ela fica um momento pensando.</p>
<p>— Vi algo <em>d’uns corpo</em> que <em>apareceru</em> sem sangue <em>nu</em> centro da cidade, então era você. — concordo apenas movendo a cabeça. — <em>Vamu</em> sair dessa chuvarada, moro num sobradinho aqui perto. Tu pode passar o dia lá hoje, e colocamos isso em pratos limpos.</p>
<p>Assim conheci Daiana, pelo menos foi como ela se apresentou para mim.</p>
<p>— Então diga, William, que <em>cê</em> sabe sobre ser vampiro?</p>
<p>— Te digo o que sei, você me ensina o que sabe?</p>
<p>Ela apenas sorriu. Parecia saber de algumas coisas. Bom, era o que eu tinha para aprender a ser o que era. Uma prostituta semi-analfabeta que cobrava seus programas com a vida de seus clientes.</p>
<p>Era o que eu tinha, precisava me acostumar e me contentar com o que tinha, por enquanto.</p>
<p>— Tá bom então, <em>néim</em>. Fica quietinho enquanto te conto o que eu sei.</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
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<hr />
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		<title>Lendas Esquecidas #7 &#8211; Eterno Pecado Meu</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Jul 2012 21:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagocroft</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lendas Esquecidas]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Perdoe-me, Padre, porque eu pequei. Sou um grande pecador. Confesso-me ao Senhor meu Deus Jesus Cristo e a ti Reverendo Padre, todos os meus pecados cometidos em todos os dias de minha existência, por ação, palavras ou pensamentos, por vontade ou contra a vontade. Pequei pelo sacrilégio, juramento inútil e em falso, riso, julgamento dos [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="/wp-content/uploads/2012/07/man-praying.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-5155" src="/wp-content/uploads/2012/07/man-praying-300x198.jpg" alt="" width="300" height="198" /></a></p>
<p><strong>Perdoe-me, Padre, porque eu pequei.</strong></p>
<p>Sou um<strong> grande pecador</strong>. Confesso-me ao Senhor meu <strong>Deus Jesus Cristo</strong> e a ti Reverendo Padre, todos os meus pecados cometidos em todos os dias de minha existência, por ação, palavras ou pensamentos, por vontade ou contra a vontade.</p>
<p>Pequei pelo<em> sacrilégio, juramento inútil e em falso, riso, julgamento dos outros, calúnia, aborrecimentos, pelas palavras ruins, ofensa, impaciência, falta de ânimo, cólera, raiva, pela conservação das ofensas na memória, inveja e ódio.</em></p>
<p>Pequei pela <em>vingança, pelos enganos, preguiça, malandrice, avareza, amor ao dinheiro, roubo, por excesso em alimentar-me.</em></p>
<p>Pequei pelos maus pensamentos, com a vista, ouvido, olfato, paladar, tato e com todos os demais sentidos.<br />
Também cometi os seguintes pecados: <strong>matei</strong> padre. Matei muitos. <strong>Bebi todo o seu sangue antes de tirar-lhes a vida.</strong> E, acima de tudo, senti-me bem. <em>A vida deles mantêm a minha.</em></p>
<p>Porém de tudo <strong>me arrependo</strong> e declaro-me <strong>culpado</strong> perante o Senhor meu Deus, mas tenho firme propósito de não mais voltar a cometer estes pecados. Bom, na verdade não todos. Não posso deixar de me alimentar, não é mesmo?</p>
<p>Peço perdão a Deus e a vós, reverendo Padre,<em> pois não queria ter de me alimentar de ti</em>. Ao menos não antes de ouvir a minha confissão.</p>
<p><strong> Abençoa-me, Padre, perdoa-me e ora por mim pecador</strong>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
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		<title>Lendas Esquecidas #6 &#8211; O Caçador Caçado</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jul 2012 21:30:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagocroft</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lendas Esquecidas]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[O local era mal iluminado. Algumas lâmpadas outrora haviam sido quebradas e outras apenas queimaram com o tempo ou por motivos desconhecidos. Cartazes colados nas paredes de metal faziam todo o tipo de anúncio, desde a venda de produtos à segurança de manter as portas sempre fechadas. O piso estava ligeiramente limpo, embora ainda houvesse [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr">O local era mal iluminado. Algumas lâmpadas outrora haviam sido quebradas e outras apenas queimaram com o tempo ou por motivos desconhecidos. Cartazes colados nas paredes de metal faziam todo o tipo de anúncio, desde a venda de produtos à segurança de manter as portas sempre fechadas. O piso estava ligeiramente limpo, embora ainda houvesse vestígios de papeis e pouco lixo espalhado pelos cantos dos bancos. Os suportes de ferro estavam enfileirados no centro, e se estendiam ao longo de todos os vagões. As chupetas balançavam com o chacoalhar da movimentação, o que fazia um som de metal contínuo e quase uniforme.</p>
<p dir="ltr"><a href="/wp-content/uploads/2012/07/trem6.jpg"><img class="alignleft  wp-image-5015" src="/wp-content/uploads/2012/07/trem6.jpg" alt="" width="346" height="461" /></a>           A parte externa era feita de um metal tosco, com algumas pichações e em alguns lugares amassados e arranhados em outros. Em geral em bom estado, tendo em vista os outros trens que colocam para circular.</p>
<p dir="ltr">        Era o último trem vindo da <strong>Central do Brasil</strong>, rumo a <strong>Japeri</strong>. Por hora estava cheio, com muitas pessoas até de pé. Estava eu, também de pé, vindo próximo ao último banco do último vagão. Vestia roupas um tanto sociais. Pessoas conversavam, outras dormiam sentadas, outras apenas olhavam diretamente para o nada, esperando o tempo que parecia não passar. Já passava da meia noite quando o vagão em que eu estava começou a esvaziar. Finalmente sentei-me, no mesmo, ficaram duas mulheres. Uma ruiva com olhos repuxados e profundos de coloração escura. Maquilagem pesada e silhueta de uma oriental impecável. A outra, uma senhora negra que aparentava um pouco mais de cinqüenta anos. Eis que me peguei olhando para a ruiva e notei que ela, disfarçadamente, também me olhava.</p>
<p dir="ltr">        Seus olhos piscavam, enquanto suas mãos delicadas seguravam uma pequena bolsa de couro. Passei a mão em meus cabelos, também disfarçando para olhar a bela moça. Nossos olhares então se cruzaram, ela tinha olhos ligeiros e me analisou apenas pelos poucos segundos que nos olhamos. Eu fizera o mesmo e percebi melhor que ela vestia uma jaqueta de couro marrom e uma mini saia jeans. Suas pernas estavam cobertas por uma meia arrastão.</p>
<p dir="ltr">O trem finalmente para, a senhora acorda de seus pensamentos e fica de pé em frente à porta aguardando para sair. Levantei-me, pus as mãos nos bolsos do casaco e aguardei também a parada do trem. Com um movimento rápido e repentino, a oriental <em>arremessa um objeto de madeira pontiagudo</em>. Mal tive tempo de me abaixar, porém a <strong>estaca me perfurou a garganta</strong> rasgando-me a carne, tamanha força que ela atirou que me fez tombar para trás. A senhora visualizou a cena aterrorizada e, na mesma hora, começou a bater na porta desesperadamente querendo sair. De sua boca, gritos misturados ao medo, desespero, pânico e pressa aglomeravam-se, formando uma única palavra que ela conseguia gritar: <strong>Socorro</strong>!</p>
<p dir="ltr">        Retirei a estaca e a soltei no banco ao lado, foi neste momento que a mulher gritou ainda mais. Talvez por não ver o sangue jorrar pela minha jugular como seria o natural, talvez por ver a ruiva <em>abrindo a boca e mostrando-me as presas</em> em sinal ameaçador ou pelos olhos tornando-se brancos demonstrando toda sua natureza selvagem. Com isso as portas se abrem e, sem mais gritar ou esperar, a senhora corre tropeçando em seus próprios pés para fora do trem.</p>
<p dir="ltr"> <a href="/wp-content/uploads/2012/07/brujah09.jpg"><img class="alignright  wp-image-5016" src="/wp-content/uploads/2012/07/brujah09.jpg" alt="" width="315" height="415" /></a>       Mostrei minhas presas, caninos longos e pontudos. Igualmente como ela o fizera antes, porém, assim como ela, não consegui afugentá-la. Não tive tempo para pensar, mas estranhei ao ver um<strong> ser da mesma espécie me atacando</strong>. Entretanto, ela o fazia bem, pois não esperou mais e atacou-me, todavia, agora eu estava precavido, me esquivei rapidamente e pude, em seguida, golpeá-la com um chute que a acertou nas costelas. A pressão do golpe foi tamanha que, além de estilhaçar os vidros mais próximos, a jogou longe; as barras de metal, que se estendiam pelo centro do trem, foram arrancadas ou partidas; logo depois de amassadas. O corpo da caçadora fora arremessado no outro vagão.</p>
<p dir="ltr">        Ri, gargalhei! Como seria fácil. E eu pensando que ela era das antigas. Mas sim, devia ser apenas uma recém criada em busca de poder&#8230; Porém enganou-se achando mesmo que eu deixaria que bebesse de minha fonte de poder.</p>
<p dir="ltr">Olhando em sua direção, do outro lado do trem, a vi de pé. <em>Não mostrava dor e não aparentava nenhum arranhão na pele</em>, a não ser roupa rasgada e meia desfiada. Será que ela seria realmente uma assassina especialista e não só mais uma dentre vários? Hum&#8230; Não, foi muito fácil acertá-la, nem precisei usar de minha <strong>velocidade</strong>. De repente, ela afasta a jaqueta para trás revelando <strong>duas pistolas</strong> em coldres de couro que estavam camufladas pela roupa até agora. As armas prateadas rapidamente, quase que numa <em>velocidade sobrenatural,</em> são sacadas e abre fogo sobre mim. Corro em sua direção, algumas das balas pude desviar utilizando meus reflexos sagazes unidos à velocidade perspicaz. Continuando correndo até ela, algumas balas me acertam, mas não são o suficiente forte para acabar comigo. Sinto o frio dos projéteis furando-me a pele, se alojando em meu corpo ou atravessando por ele e acertando alguma parede ou local mais atrás.</p>
<p dir="ltr">  <a href="/wp-content/uploads/2012/07/crisy2.jpg"><img class="alignleft  wp-image-5019" src="/wp-content/uploads/2012/07/crisy2.jpg" alt="" width="336" height="518" /></a>      Tinha que acabar logo com isso. A dor não era tanta, ferimentos assim sempre consegui curar em segundos. Porém, quando senti minha pele começar a regenerar, para cicatrizar a ferida e me curar por completo, alguma coisa impedia o processo. Eis então que a mulher vinha em minha direção caminhando calmamente, guardando as armas no coldre. Seu olhar demonstrava indiferença e arrogância. Com passos minuciosos e precisos. Ao ficar diante de mim, começou a falar pausada e calmamente.</p>
<p dir="ltr">        — Peguei-o não? Essas balas são tão potentes que perfuram até a <em>pele mais resistente e vigorosa</em>, mas esta não é a novidade. A novidade é quando adentram o corpo dos malditos <strong>almadiçoados</strong>, vampiros se assim preferir, tais como você e eu&#8230; <em>Estas belezinhas dissolvem na mesma hora liberando uma substância que acaba corroendo instantaneamente todo seu corpo. E, ah sim, seu dom de regenerar as feridas não funciona mais. Sim tem mais, seu corpo fica imobilizado e dentro de alguns minutos, entrará em combustão acabando com todo seu corpo em chamas</em>&#8230; Infernais? Não! <strong>Chamas Justiceiras</strong>, purificadoras por assim dizer! Tudo o que vocês bebedores de sangue precisam, não é mesmo? Agora deve estar passando pela sua cabeça, por que eu, uma sanguessuga como você, estaria fazendo isto? Simples, eu nunca pedi para ser quem sou. Porém não me deixo levar pela selvageria e, sim, tento encontrar a fonte de tudo isso, para acabar de vez com toda esta epidemia.</p>
<p dir="ltr">        Após ela terminar de falar, meu corpo perdera toda a instabilidade e equilíbrio, aos poucos foi se enrijecendo e em questão de segundos caí no chão imóvel. Tentei gritar em razão da insuportável dor que se propagava por todo meu corpo, mas sentia que não conseguia mover nem um músculo sequer. Uma reação em cadeia se formou em seguida se alastrando em mim, com pequenas <em>explosões que formaram labaredas de fogo por partes em meu corpo</em>, em segundos entrei em combustão como a ruiva explicara antes. Depois disso morri, deixando para trás um passado obscuro de dor, maldade, sangue e sofrimento.</p>
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		<title>Lendas Esquecidas #5 &#8211; Uma noite no shopping</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Jun 2012 11:30:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagocroft</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lendas Esquecidas]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Sexta-feira, 13 de Novembro de 1998, 21h45min Shopping, Subúrbio do Rio de Janeiro     Eu havia acabado de entrar. Vestia uma calça de couro preta e uma blusa colante de cor azul que delineava meu corpo. Por cima uma jaqueta aberta também preta. Carregava então duas bolsas e caminhava para as escadas rolantes. Estas ficavam [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p dir="ltr"><strong>Sexta-feira, 13 de Novembro de 1998, 21h45min</strong></p>
<p dir="ltr"><strong>Shopping, Subúrbio do Rio de Janeiro</strong></p>
<p dir="ltr"><a href="/wp-content/uploads/2012/06/lucy_liu_pic1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4168" src="/wp-content/uploads/2012/06/lucy_liu_pic1-300x228.jpg" alt="" width="300" height="228" /></a>    Eu havia acabado de entrar. Vestia uma calça de couro preta e uma blusa colante de cor azul que delineava meu corpo. Por cima uma jaqueta aberta também preta. Carregava então duas bolsas e caminhava para as escadas rolantes. Estas ficavam no centro do shopping e davam acesso aos pisos superiores: 2°, 3°, 4°, e 5°, o telhado. Muitas pessoas passavam pelo local, grandes pilastras sustentavam os pavimentos e no alto uma grande clarabóia iluminava durante o dia, neste momento era visível a lua nova bem no alto sendo obscurecida por nuvens.</p>
<p dir="ltr">    <strong>Eis então que estava eu na metade da escada senti que estava sendo observada.</strong> Não sei onde, nem por quem, só me senti ameaçada. — Intuição feminina, diriam as moças de plantão —, porém eu levava mais como um <em>deja vu</em>. Sempre que eu era seguida acontecia a mesma coisa, eu ficava impaciente olhando para os lados, cerrando os punhos até avistar meu observador. <strong>Pensei logo que seriam aqueles malditos vampiros que eu tanto caço</strong>, mas logo hoje que resolvi tirar uma folga, se bem que, não tinham razão alguma de me dar uma noite de sossego.</p>
<p dir="ltr">    Terminando de subir, — agora com as alças das sacolas quase arrebentando de tanta força que eu exercia devido aos meus punhos cerrados —, encontrava-me agora no terceiro piso, avistando os elevadores, optei por eles e caminhei em sua direção. Logo estaria no estacionamento que ficava no telhado, onde havia deixado minha moto. Andava calmamente tentando esquecer a sensação de estar sendo observada, porém esta não me deixava em paz e passando em frente a uma loja que não me lembro qual era, passei rapidamente os olhos pela vitrine, não que estivesse admirando os eletrodomésticos ali expostos e sim usei o vidro como um espelho e finalmente avistei meu perseguidor.</p>
<p dir="ltr"><a href="/wp-content/uploads/2012/06/01_the_vampire___lasombra02e.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-4169" src="/wp-content/uploads/2012/06/01_the_vampire___lasombra02e-222x300.jpg" alt="" width="222" height="300" /></a>    <strong>Ele era alto e magro, bem magro. Seu rosto era quase cadavérico. Cabelos escuros espichavam em sua cabeça desdenhosamente.</strong> Seu corpo ossudo era coberto por trajes comuns, uma camisa gola alta preta com um longo crucifixo de prata enrolado no pescoço pendendo frente a camisa. Sua calça era cinzenta, o que quebrava um pouco o ar quase fúnebre que ele passava.</p>
<p dir="ltr">    Não demorei mais, logo passei por duas galerias e avistei uma dessas barraquinhas de sorvete. Parei e pedi uma casquinha. Bingo! Comprovei minha teoria, <strong>o homem alto cadavérico estava me seguindo.</strong> Tentou ainda disfarçar se escondendo atrás de um manequim em uma das lojas, mas minha visão periférica inumana sobrepôs a furtividade dele e pude percebê-lo.</p>
<p dir="ltr">    Finalmente chego ao elevador, onde entraram três pessoas. Uma mulher de meia idade negra com trancinhas rastafári, um jovem rapaz de não mais que quinze anos, com agasalho amarrado na cintura e óculos com armação fina e o último, um homem de aparência comum, calvo e roupas simples. Junto com esses três, quando a porta ia se fechar, meu perseguidor adentra ao elevador. Seus passos são firmes e calmos, ficando do outro lado do elevador.</p>
<p dir="ltr">    Ainda segurando minhas sacolas, agitada com toda a situação. <strong>Penso em como fui tola, por não ter trazido nenhuma arma sequer, nem ao menos deixado na moto ou um canivete, nada.</strong> — Se bem que estas lojas têm sistemas de segurança e alarmes, o shopping inteiro é coberto de câmeras de segurança. Logo meu rostinho estaria estampado em todos os jornais; no<strong> O Globo ou pior, O Povo</strong>. — O elevador sobe e ao chegar ao quarto piso duas pessoas descem e junto o meu perseguidor. Estranhei o fato, cheguei até a franzir a testa incrédula do que havia acontecido. Será que era apenas coisas da minha cabeça e que o rapaz magrelo só queria chegar ao elevador?</p>
<p dir="ltr">    Finalmente chegamos ao último andar, o telhado. Com um beep como sinal, o elevador para e as portas são abertas. Uma escuridão invade o elevador ignorando as luzes do mesmo. <strong>Parecia-se com um líquido de caneta tinteira, mas não molhava e era viscoso, não era como neblina ou fumaça qualquer, era táteo</strong>. Esta estranha escuridão veio cobrindo o local escorrendo pelo chão e pela parede como fios de tinta serpenteando pelas frestas e <a href="/wp-content/uploads/2012/06/Lasombra_by_Johndowson.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4170" src="/wp-content/uploads/2012/06/Lasombra_by_Johndowson-212x300.jpg" alt="" width="212" height="300" /></a>paredes cobrindo todo o local, ao se encostar a nós, em mim e no garoto ao meu lado, a mim só ocorreu um ligeiro calafrio e uma onda de pânico percorreu-me o corpo e a alma, mas logo me controlei. Porém com o rapaz não fora desta forma. Caiu no chão segurando a garganta como se alguém tentasse asfixiá-lo e não mais o vi, pois a escuridão nos cobriu por completo. Nem mais o som de dor que ele emitia pude ouvir. Estava perdida numa escuridão total onde nem som nem imagem existiam mais.</p>
<p dir="ltr">    <strong>Eu nada podia ver, era como se toda a escuridão do universo tivesse sido projetada de dentro do estacionamento para o elevador.</strong> Tateando pelo escuro, sinto o canto do elevador. Dou um passo adiante e sinto minha perna esbarrando em algo que me bate com força. Pareceu-me uma cobra ou algo similar, um braço talvez, mas se fosse um braço era gigantesco e extremamente flexível, pois <strong>se enrolou com muita força em minha perna e, em seguida, outro enrolou-se na outra perna.</strong> Me debati e tentei segurar na porta do elevador, mas tudo o que consegui foi com que um dos meus braços fosse preso também por esta coisa estranha. Senti que de repente uma pressão bateu sobre minhas pernas e meu braço, uma força tremenda que me arrastou para frente num só puxão. Erguendo-me no ar, os até desconhecidos braços me puxaram para frente com tamanha força e velocidade, todo o caminho era estranho e cego para mim. Bati a cabeça diversas vezes, estourando o que pareciam ser lâmpadas e minhas pernas batiam ora ou outra em um carro, amassando-os provavelmente.</p>
<p dir="ltr"> <a href="/wp-content/uploads/2012/06/Velhice.Mãos.mão.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-4171" src="/wp-content/uploads/2012/06/Velhice.Mãos.mão-172x300.jpg" alt="" width="172" height="300" /></a>   Descobri em seguida para onde estava sendo literalmente sugada.<strong> As trevas se desfizeram como tinta escorrendo por um ralo, e este ralo era ninguém menos que o meu perseguidor, o homem magro de pele alva.</strong> As sombras voltavam ao seu criador, mas também voltavam à locais de onde ele as havia convocado, das sombras de pilastras, carros, placas ou qualquer outro corpo físico que projetasse sombra. Ele estava diante de mim, seus olhos fixados olhando-me de soslaio e sério como uma rocha. Parecia estar concentrado em seus pensamentos. De sua sombra saiam cinco tentáculos negros compostos completamente de sombra! Olhei ao mesmo tempo fascinada e estupefata. Os tentáculos de sombra me prendiam cada vez mais forte, os dois restantes balançavam soltos como serpentes diante da presa e a presa era eu.</p>
<p dir="ltr">    — Olá caçadora! — disse-me ele. — Desculpe-me pelo transtorno e os maus modos, mas foi a única forma de chamar-lhe a atenção.</p>
<p dir="ltr">    — Por que não falou logo? Era só marcar uma entrevista com o meu agente&#8230; — ele me olhou mais friamente do que antes.</p>
<p dir="ltr">    — Sempre arrogante não é mesmo? Apesar de estar numa situação difícil. Ficar presa em meus braços não é uma situação simples de se escapar&#8230; Digo, quase impossível. — Um de seus tentáculos bateu violentamente em meu rosto fazendo com que eu tombasse para o lado. Uma dor terrível abateu sobre meu rosto devido ao golpe.</p>
<p dir="ltr">        — Dói não é?&#8230; Você vem causando muitos problemas ultimamente ao Rio. <strong>Há uma recompensa pela sua cabeça, sabia disso?</strong></p>
<p dir="ltr">    Sem aviso os braços me sacodem para um lado e em seguida sou mandada com toda força e velocidade para o lado contrário. A velocidade é tamanha e a força é gigantesca com que bato quebrando a clarabóia. Fendas de metal cortam-me a pele e cacos de vidro arranham-me um pouco, não causando maiores danos devido ao meu casaco. A clarabóia é estilhaçada assim que eu passo, começo a cair em seguida de cabeça para baixo. Ouço gritos de pavor e anúncios do tipo:</p>
<p dir="ltr"><a href="/wp-content/uploads/2012/06/Shopping_madureira.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4172" src="/wp-content/uploads/2012/06/Shopping_madureira-242x300.jpg" alt="" width="242" height="300" /></a></p>
<p dir="ltr">    — Olhem! É uma mulher caindo! Meus Deus!!! O que está acontecendo? — Tudo não durou mais que alguns segundos, mas a mim, pareceram ter sido horas e mais horas.</p>
<p dir="ltr">    Olhei para baixo e vi figuras distorcidas das pessoas saindo correndo de onde seria o ponto de impacto, com uma cambalhota, giro-me no ar ficando com as pernas para baixo. Olhava para o chão agora esperando que minha resistência suportasse a queda. O chão estava longe ainda, mas eu ia tentar. <strong>Concentrando então todas as forças do meu sangue vampiresco, senti-o passar pelas artérias por todo o corpo deixando-o cada vez mais forte e resistente.</strong></p>
<p dir="ltr">    Quando caí, o impacto fez com que uma pequena cratera se formasse; os pisos em volta estouraram e as mesas da praça foram arremessadas longe. Algumas pessoas que estavam por perto também caíram no chão ou, para se protegerem dos destroços, ou mesmo pela força do impacto que fora tremenda. Canos de água estouraram e logo a cratera se tornou um chafariz e eu estava caída moribunda de cara na água. E por alguns minutos permaneci da forma em que estava. Junto com o som da água em meus ouvidos, ouvia vozes da multidão de curiosos que se formavam ao meu redor. Indagavam a si mesmo, se eu estaria viva ou não, outros respondiam falando mais para si, do que respondendo — que era impossível alguém cair de tal altura e ainda ter sobrevivido! — Uma coisa que senti que perceberam foi a falta de sangue. Não havia uma gota sequer boiando junto com a água e toda esta multidão gostava de ver sangue, parece até que boa parte da população se diverte quando via sangue ou alguém se machucando&#8230; Porra! Vão assistir Wagner Montes!</p>
<p dir="ltr">    A multidão deu gritos de horror e começou a correr quando me levantei. O esforço era grande. Apesar de não ter me ferido tanto, a queda tinha me custado boa parte de meu poder e estava cansada. Pensei: — Caramba, puta que pariu! Ele me dera uma surra e eu não pude fazer nada para me defender. — Seguranças do shopping apareceram em seguida, junto a paramédicos do local e dois enfermeiros. Olhei em volta, não podia deixar que me examinassem, seria uma catástrofe se descobrissem finalmente a existência de vampiros.<strong> Uma segunda Inquisição se iniciaria, fogueiras e forcas seriam espalhadas por todas as cidades do mundo.</strong> Não podia deixar que isso acontecesse. Inocentes pagariam pelos verdadeiros culpados como sempre aconteceu.</p>
<p dir="ltr">    — É um milagre!</p>
<p dir="ltr">    — Não pode ser!</p>
<p dir="ltr"><a href="/wp-content/uploads/2012/06/underworld___selene_by_beethy-d3avf9d_large.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4173" src="/wp-content/uploads/2012/06/underworld___selene_by_beethy-d3avf9d_large-201x300.jpg" alt="" width="201" height="300" /></a>    Gritava a multidão enquanto se afastava olhando todos aterrorizados para mim. As mães seguravam seus filhos e os homens defendiam suas esposas. Sem pensar mais, saltei apenas dobrando os joelhos e lançando-me ao segundo piso. Tinha que sair daquele local, muitos tinham visto meu rosto. Agora seria eu a caçada e não mais a caçadora. Não vi o rosto do meu público, mas sei que ficaram boquiabertos com a cena que acabaram de presenciar, embora mal tenham visto o que acabara de fazer, nada mais que um borrão distorcendo a realidade. Já neste local, <strong>corro em direção as pilastras e salto a uma delas e como um gato escalando uma parede eu escalo a pilastra</strong>. Saltando em alta velocidade entre as pilastras e corrimãos, alcanço o quarto piso e poderia finalmente sair daquele local.</p>
<p dir="ltr">   Ao avistar minha moto corro ainda mais até ela, subo e, após colocar o capacete, dou partida na moto. O motor ronca com um barulho que se estende por todo o estacionamento. Olho para o local onde o misterioso e sinistro homem e eu nos confrontamos&#8230; nenhum sinal dele. Quando volto o olhar para frente, dou de cara com ele a poucos metros a minha frente. Mas dessa vez não estava sozinho. Havia mais dois homens com ele. O qual um vestia roupas esportes, tinha cabelos castanhos e usava óculos de grau que cobriam seus olhos quase infantis. Já o outro vestia um casaco grosso de lã com um capuz jogado para trás e tinha o cabelo negro preso como um rabo de cavalo. <strong>Seus olhos eram profundos e quase sem expressão. Pele extremamente pálida e unhas compridas, bestiais&#8230; animalescas!</strong></p>
<p dir="ltr">    Quando penso em sair pelo lado, uma mulher aparece do meu lado direito. Loira, alta e esguia. Ela vestia uma blusa rosa e uma calça branca. Do meu outro flanco, surge um homem de meia idade muito alto. Ele era careca com pequenas rugas no canto dos olhos e trazia uma tatoo no ombro esquerdo. Todos traziam um sorriso de satisfação estampado em seus rostos mórbidos como se já detivessem em suas mãos minha cabeça como troféu. Mas eu não me entregaria tão facilmente.</p>
<p dir="ltr">    — Não há saída Lee! Desta vez nós te pegamos. — Disse um dos vermes, como eles sabiam meu nome? — Somos cinco contra uma, não banque a heroína&#8230; — Disse a mulher.</p>
<p dir="ltr">    — É verdade&#8230; Vamos ver quanto tempo vocês agüentam&#8230; — Disse eu a ela tentando ganhar tempo. <strong>Se todos fossem demônios das sombras como era o homem magro, eu estava ferrada. Se contra um deles eu fui humilhada, contra cinco era morte na certa.</strong></p>
<p dir="ltr">    Acelero a moto e vou em direção aos três da minha frente. Porém dou apenas uma arrancada com a moto, pois em seguida freio e <strong>girando por sobre o guidão, dou um chute voador que acerta os três</strong> que não esperavam por isso e são jogados longe com o ímpeto do meu golpe.</p>
<p dir="ltr">    — Humm&#8230; Um, dois, três&#8230; Realmente vocês eram cinco, agora só faltam vocês dois. — Termino a volta e sento de volta na moto. Enquanto falava, contornava com a moto ficando de frente para os dois que me olhavam estagnados. Em disparada vou em direção ao homem careca. Ele nada faz, apenas fixou bem as pernas e ficou me olhando como se nada fosse acontecer. Empino a moto e acelero ainda mais, porém com uma força assustadora, ele ergue a moto, num único girar de calcanhar e a joga longe. Mal pude me prender com as coxas e me mantenho sentada na moto. Por sorte caímos com as rodas no chão e continuo o caminho tentando fugir, sigo em direção as escadas rolantes que levam para o shopping.</p>
<p dir="ltr"><a href="/wp-content/uploads/2012/06/ipanema.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4174" src="/wp-content/uploads/2012/06/ipanema-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p dir="ltr">    Seguranças estavam a caminho segurando pistolas e vestiam coletes à prova de balas. — Que merda! — Penso freando a moto e fazendo a volta para o estacionamento novamente, entretanto o local estava todo coberto por aquele véu de sombras de outrora. — Ô praga! — Concluo a volta de 360º e me deparo novamente com os seguranças, quatro deles.</p>
<p dir="ltr">    — Pare a moto e desça calmamente com as mãos para o alto. — Diz um deles com a arma apontada para minha cabeça. Vendo que não seriam obedecidos e que eu acelerava a moto em sua direção, em zig e zag tentando desviar dos possíveis tiros. Eles abrem fogo com suas pistolas. Sinto as balas perfurando-me a carne, umas feriam-me mais que outras, mas nada que fosse fatal. Ao chegar perto deles, antes que pudessem sair da linha que a moto seguia, derrapo com a moto sobre os pés deles, sentem muita dor e gritam com isso. A velocidade e a força da moto fazem com que eles caiam.</p>
<p dir="ltr">    Sigo enfim para as escadas rolantes. As poucas pessoas que desciam pela escada, se espremem para sair do caminho ou se penduram no corrimão. Com dificuldade, mas conseguindo, chego ao quarto piso e acelero em direção ao parapeito, a moto arranca as barras de metal e lanço-me do outro lado no terceiro piso. Cruzando o ar como num vôo e alcanço o outro lado batendo no beiral, o que me fez perder o controle por um segundo. Fora o bastante para acabar com o pouso, a moto derrapa pelo chão e sou arremessada também.</p>
<p dir="ltr">    <strong>Com um barulho agudo, a moto segue arrastando-se pelo piso e fica toda arranhada. Eu rolo umas duas ou três vezes, em seguida consigo parar e começo a levantar.</strong> Já dera muito show no shopping por hoje, as pessoas teriam assunto para o mês todo. — A louca do shopping. A moto que voava&#8230; — Quando me preparo para correr, ouço a voz do homem magro em minha mente.</p>
<p dir="ltr">    — Pare Crisy! Ou matarei toda essa gente e os levarei para dar de comida às minhas crianças que sentem fome&#8230; Você sabe muito bem que pouco me importo com eles, que para nós não passam de simples alimentos.</p>
<p dir="ltr">    Uma a uma as lâmpadas de todo o shopping, lojas e corredores, estouraram deixando uma penumbra natural espalhar-se por todo o lugar. As luzes de emergência acenderam-se por alguns segundos, mas não durou mais que isto. Logo piscaram e, após uma explosão vinda do alto do prédio, não mais se acenderam. Retirei o capacete e após jogá-lo no chão, caminho até o beiral onde minha moto havia batido. De lá posso ver a praça onde eu havia caído da outra vez. A água parara de jorrar, os seguranças isolaram o local e apenas alguns policiais continham, ou pelo menos achavam, que continham a situação. Do alto, vejo o homem magro pairando no alto com a mulher loira ao seu lado. <strong>Ela tinha os olhos brilhantes prateados e tinha as mãos junto à cabeça em sinal de concentração. — Uma bruxa.</strong> — Pensei.</p>
<p dir="ltr">    — O que vocês querem? — gritei para eles. — Vamos sair daqui e resolvo tudo com vocês. Aqui eu me recuso a “conversar” com vocês. Há pessoas inocentes e não pretendo me entregar&#8230; — Como se fossem me ouvir.</p>
<p dir="ltr"><a href="/wp-content/uploads/2012/06/shopping_mall_photo.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4176" src="/wp-content/uploads/2012/06/shopping_mall_photo-300x198.jpg" alt="" width="300" height="198" /></a></p>
<p dir="ltr">  — É muito simples&#8230; Vença-nos e poderá seguir seu caminho. Caso contrário, levaremos sua cabeça como disse antes. — Ele agora falava em alto e bom tom, onde todos podiam ouvir. — E caso não atenda meu apelo&#8230; Matarei a todos como disse, e tenha certeza, não estou blefando. — Ouviram-se agora gritos de protestos das pessoas espalhadas, escondidas, refugiadas onde puderam improvisar. Não pude distinguir o que era, só sei que sentiam medo. Medo por suas vidas inúteis que eu teria de salvar. <strong>Eu teria que entrar no joguinho destes vampiros.</strong></p>
<p dir="ltr">    — Eu aceito&#8230; Com uma condição&#8230; — Paro e olho ao redor: As pessoas não se mexiam. Talvez pela curiosidade do que aconteceria, por medo, ou pelo fato de verem duas pessoas flutuando a sete metros do chão&#8230; ou mesmo, por algum encantamento desses malditos.</p>
<p dir="ltr">    — Condição? Acha mesmo que está em condição de pedir condições? Mas vamos lá&#8230; Diga o que queres&#8230; Que verei o que posso fazer a respeito.</p>
<p dir="ltr">    — Isole o local da luta. <strong>Não quero que o fedor de suas carnes nojentas seja inalado pelos inocentes aqui presentes quando eu os matar.</strong> — Agora eu tinha ido longe demais. Com certeza eles iam ficar muito putos comigo agora. E era só questão de tempo e vontade, produzir aquele manto de sombras novamente e todos morreriam agonizando como vi no elevador.</p>
<p dir="ltr">    — Não abuse da sorte Lee&#8230; Que os jogos comecem! — disse ele batendo duas palmas de leve. Seu rosto era marcado por um sorriso maléfico e seus olhos estavam vidrados em me olhar.</p>
<p dir="ltr">    O rapaz de óculos salta por cima da multidão, vinha do meio deles no mesmo piso em que eu estava. Ele agora tinha um aspecto mais animalesco.<strong> Os pêlos de seus membros haviam se avolumado, se assemelhava a um macaco ou algo parecido. Tinha grandes garras no lugar dos dedos. Seus olhos brilhavam amarelos sagazmente e exibia suas presas como as de um canino</strong>.</p>
<p dir="ltr">    Os outros dois deles vinham do outro lado. O rapaz de rabo de cavalo vinha andando calmamente com seu olhar sereno e perdido em órbitas. Enquanto o outro, o mais velho deles, tinha em mãos uma grande barra de aço. Seus músculos estavam rígidos e ele se exibia mostrando sua força tentando me intimidar. Os dois do alto desceram lentamente flutuando. O homem magro flutua e fica próximo a uma pilastra no mesmo andar que eu. Já a mulher, desce e fica próxima a cratera d’água.</p>
<p dir="ltr">    <strong>Caramba! Agora me ferrei legal.</strong> Como vou poder contra todo esta corja sozinha? Nem ao menos tenho minhas armas. — Enquanto todas essas coisas passavam pela minha cabeça, enquanto a mulher descia, seus olhos brilharam e uma força gigantesca me joga para trás. Não fora o vento, não ouve lufada, fora algo místico. Uma de suas magias negras.</p>
<p dir="ltr">    Uma onda invisível cobre-me o corpo e me atira numa pilastra. Bato com muita força, cacos de concreto descolam e caem junto comigo no chão. Uma rachadura denunciava que a força tinha sido tremenda. <strong>Enquanto eu estava caída, sentia mais golpes, mas desta vez era de uma barra de metal</strong>. Era a barra que o careca trazia. Covarde! Nem esperou que eu levantasse. Golpeava-me a costela, já devia ter pelo menos umas quatro fraturadas e umas duas quebradas. Estava condenada se continuasse nestas condições. Tinha que revidar e tinha que ser agora, senão morreria na frente de todos.</p>
<p dir="ltr">    Quando ele veio desferir o quinto golpe ou sexto sei lá, me giro rapidamente no chão e agarro a ponta da barra e a puxo para mim, contudo a força que ele exerce sobre ela é enorme e ele não a solta. <strong>Utilizando de minha super velocidade, ataco seu pescoço com minhas presas e, passando rapidamente em seguida para trás dele, imobilizo-o com a própria barra</strong>. Era minha chance. Sorvi o sangue rapidamente em goles rápidos e nem pude aproveitar e degustar daquele sabor magnífico que era beber do sangue de outro vampiro. Um sangue tão condenado quanto o meu, sangue que era raro de se obter e que me deixava mais forte muito rápido.</p>
<p dir="ltr"> <a href="/wp-content/uploads/2012/06/lucyvampire.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4177" src="/wp-content/uploads/2012/06/lucyvampire-195x300.jpg" alt="" width="195" height="300" /></a>   Instantaneamente curo alguns ferimentos pelo corpo e sinto-me revigorada. Contudo sinto minhas pernas presas e logo vejo aquelas malditas sombras prendendo-me. O selvagem vinha em minha direção com suas garras prontas para me arrancar a cabeça. O careca tentava se soltar, mas estava fraco devido à perda de sangue tão recentemente. Não podia sair dali porque os braços de sombra me prendiam as pernas. Quando o selvagem veio me estripar, uso o corpo do velhote como escudo. Sem poder parar o golpe, o selvagem retalha as costas do velho e este cai com seu sangue escorrendo por todo o chão.</p>
<p dir="ltr">    O homem magro vinha agora em minha direção para atacar-me ou sei lá o que. Sem pensar em mais nada, taco o corpo dilacerado do velho sobre o selvagem e pego a barra de sua mão. Reunindo toda minha velocidade e força, como em um jogo de baseball atiro o controlador das trevas de volta, ele bate contra uma loja quebrando a vitrine e caindo por sobre manequins e roupas. Suas sombras me soltam em seguida.</p>
<p dir="ltr">    Havia agora apenas o rapaz de capuz diante de mim. Este ainda nem demonstrara o seu poder. — Talvez ele nem fosse vampiro, mas sua pele denunciava isto. Era o mais pálido dentre eles. E nota-se claramente que não respirava. E ah, claro, a mulher lá embaixo. — Olhando agora mais atentamente para ele notei que não passava de um menino. Deve ter recebido o sangue das trevas com não mais que quinze anos. Ele agora estava com o capuz sobre a cabeça, deixando apenas ver seu rosto do nariz para baixo. Seus olhos brilhavam na sombra que a toca provocava, olhos astutos, felinos.</p>
<p dir="ltr">    Deixando de pensar no pobre menino analisei a situação. Acabara de ganhar tempo, se a moça não resolvesse me atacar novamente poderia chegar a minha moto e cair fora. E se este menino não fizer nada, poderei sair sem maiores preocupações.</p>
<p dir="ltr">    <em>— Sim faça isto!</em> — Ouvi meu subconsciente dizer. Ou, se não tiver chance e tiver mesmo que acabar com eles, posso usar o combustível da moto para incinerá-los. <em>— Não isto não. Melhor se entregar.</em> — Novamente a voz do meu subconsciente. Mas eu não podia me entregar, isto nunca! <em>— Sim, sim é verdade. Saia com a moto então..</em>.</p>
<p dir="ltr">    Fui em direção à moto. O menino nada fez e apenas me olhou. Seu olhar acompanhou cada passo que eu dei em direção a moto. Continuou parado de pé com as mãos nos bolsos do casaco como se com medo de mim e do que poderia fazer.</p>
<p dir="ltr">    <em>— Não faça isto!</em></p>
<p dir="ltr">    —<em> Por que não?</em> — Perguntei a mim mesma mentalmente.</p>
<p dir="ltr">    — <em>Porque você não quer fazer isso. Desista. Se entregue!</em></p>
<p dir="ltr">    — <em>Eu quero sim. Eles querem me matar, só quero me salvar</em>.</p>
<p dir="ltr">    — <em>Por que se salvar? É tão ruim e bebedora de sangue quanto eles. <strong>A mesma maldade que eles fazem você também faz.</strong> O que te faz diferente deles?</em></p>
<p dir="ltr">    Era verdade. Minha consciência me dizia a verdade que há muito tempo nego e que tento lutar contra, mas nada mais é, do que a simples e pura verdade. <strong>Tudo com que sempre lutei e matei, não eram mais que meus “irmãos no sangue”</strong>.</p>
<p dir="ltr">    Eu que andava na direção da moto. Paro momentaneamente. Ia desistir. Entregar-me e deixar ser levada por eles&#8230; — Isso&#8230; Está fazendo o certo agora.</p>
<p dir="ltr">    — Não! Eu não posso! Não quero! Não vou!</p>
<p dir="ltr">    Como se um vidro sendo estilhaçado, sinto minha mente se libertando de nuvens que a cobriam tentando controlar-me por meios de magia ou algo místico similar. O garoto cai de joelhos no chão vomitando sangue e berrando de uma dor invisível. Ele me olha com uma raiva que não sei de onde tirou e toda sua juventude pareceu sumir e me pareceu velho, tão velho quanto o careca que se contorcia no chão com o rasgo nas costas. — Nossa! É mesmo, quase havia me esquecido deles&#8230; O selvagem e o fortão, que já haviam se recuperado, vinham correndo em minha direção. O selvagem é incrivelmente mais rápido, mas eu teria que ser mais rápida que ele. Esta era minha chance&#8230; a moto!</p>
<p dir="ltr"><a href="/wp-content/uploads/2012/06/vegas-vampires_burning.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-4178" src="/wp-content/uploads/2012/06/vegas-vampires_burning-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>    Com uma cambalhota, vou para o lado de trás de minha moto, mas o selvagem é mais rápido, <strong>me dilacera as costas e acerta também o tanque da moto.</strong> O que fez que jorrasse gasolina sobre ele e começasse escorrer pelo chão. Sem pensar na dor que sentia com as costas feridas, risco o bastão de metal no chão em meio à gasolina, este faiscando, incendeia o combustível e a si próprio. Com um chute potente, lanço a moto sobre o homem magro que produzia suas sombras loucamente na tentativa de me agarrar novamente. A moto segue o caminho e acerta o velho que entra em chamas também.</p>
<p dir="ltr">    Em seguida explode. A explosão acerta em cheio o garoto que ainda jazia no chão imóvel. <strong>As chamas logo corroem suas peles mortas e um pneu é disparado da moto e acerta a cabeça do homem magro que produzia suas sombras.</strong> Tentáculos negros já brotavam de suas costas e sua pele havia se tornado tão negra quanto a noite, só que com este baque, ele perde a concentração e tudo se desfaz.</p>
<p dir="ltr">    As chamas cobriam-me a visão,<strong> contive meu medo pelo fogo</strong>, o fedor das pútridas carnes eram-me inaladas contra a vontade. Uma fumaça negra subia rodopiando em espiral e logo iriam alcançar o alarme de incêndio. A barra de ferro que estava em minha posse queimava como uma tocha, mas eu tinha que agir logo, se esperasse um pouco mais o alarme seria acionado e as chamas se extinguiriam com a água.</p>
<p dir="ltr">    Corro da melhor maneira possível pulando por cima das chamas da carcaça de minha moto. Ao ficar frente a frente com o homem magro olho em seus olhos antes do último golpe. Seus olhos estavam arregalados, o pânico era facilmente notado por todo seu corpo que tremia como uma criança indefesa. Ele até fez uma alusão em correr e fugir dali o mais rápido possível, <strong>mas o trespassei com a barra em chamas que ao tocar sua pele a deixou no mesmo instante negra e nem entrou em combustão como a dos outros, ela logo se desfez em cinzas e nada mais restou além de pó</strong>. Por fim o alarme entra em ação e libera a água dos pequenos sensores no teto. Uma lama é formada das cinzas e meu cabelo e roupas ficam encharcados.</p>
<p dir="ltr">    Só faltava ela, a loira magricela. Caminhando com dificuldades, já que agora começava a sentir dor das costelas danificadas e escoriações pelo corpo, previno de não piorar a situação. Fico parada no beiral e olho para a praça abaixo. As pessoas haviam esvaziado o lugar e não restara mais ninguém além dos policiais e a mulher parada no centro da praça. Os policiais carregavam armas de grande calibre. — Também pudera, depois de todo o show que fora dado gratuitamente no shopping e nem para avisarmos a alguém com antecedência. Poderíamos cobrar entrada. — A água cessa. Os policiais apontavam seus fuzis para a mulher. Ela não se mexia, apenas tinha as mãos na cabeça como antes em sinal de concentração.</p>
<p dir="ltr">    — Não se mova, ou nós atiraremos. Você está presa! — grita um deles dando voz de prisão a ela e em seguida seria a mim. Ao darem a voz de prisão, ela abaixa as mãos rapidamente.</p>
<p dir="ltr">    — Deixe as mãos onde possamos ver! Parada aí! — Mas ela parece nem ouvir o que eles falavam, simplesmente segue andando, mesmo estando cercada por cinco policiais fortemente armados. Ela vira a palma da mão e dela surge uma pequena chama como se segurasse uma fogueira pequena. Foi o estopim para eles atirarem. Quase que em uníssono as armas estouram e abrem fogo contra ela, todavia, quando <strong>os projéteis ficam a um dedo de espaço dela, paralisam-se no ar e ela pisca lentamente</strong>. Ao piscar, seus olhos voltam-se para mim. Com um sorriso malicioso ela volta a olhar para baixo e as balas pareceram ricochetear em algo, voltam aos seus atiradores, acertando bem no meio da testa.</p>
<p dir="ltr">    — Hahahaha! Tolos&#8230; — Ela torna a andar e olha ao redor. — Alguém mais quer atirar? Hahahahaha&#8230; — Ela olha para cima em minha direção e diz com um olhar maldoso e vingativo. — Não pense que acabou aqui queridinha&#8230; <strong>Ainda existem muitos atrás de você!</strong></p>
<p dir="ltr">    Com isso ela segue voando verticalmente em direção a clarabóia quebrada e some de vista. Sua velocidade fora incrível, nem eu pude acompanhar com meus olhos sobrenaturais.</p>
<p dir="ltr">    — E eu estarei esperando&#8230; — respondi em voz baixa. Porém ela estava certa. Ainda não havia acabado, com toda esta confusão logo o exército estaria aqui. Pulo do corrimão e chego ao primeiro piso. Alguns polícias amedrontados demais para atirar depois da cena que acabaram de presenciar abrem caminho apenas dizendo:</p>
<p dir="ltr">     — Parada! Você não pode fugir.</p>
<p dir="ltr">     — É&#8230; não posso. Mas não serão vocês a me impedir.</p>
<p dir="ltr"><a href="/wp-content/uploads/2012/06/choque.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4179" src="/wp-content/uploads/2012/06/choque-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>    Atravesso a galeria principal de lojas e chego ao corredor de saída do shopping. Ao avistar as portas de saída, avisto também uma <strong>tropa de choque adentrando batendo seus cassetetes nos escudos para fazer barulho e intimidar</strong>. Atiraram algumas granadas de efeito moral — ainda bem que não respiro!</p>
<p dir="ltr">    Paro bruscamente de correr e olho para os lados. Avisto uma porta a poucos metros de mim. Corro para a esquerda e arrombo uma porta com um chute. Deixando para trás alguns gritos de guerra e passos em corrida. — Me perseguiriam.</p>
<p dir="ltr">    Era um local reservado para os banheiros e claro uma&#8230; — <strong>Saída de emergência!</strong> — Corro para a porta e abro-a facilmente. Corro por um corredor escuro e longo, abro uma porta no fim dele bem rápido, mas não me arrisco a logo meter a cara por ela. Ao invés disso, olho discretamente para fora. Na lateral o shopping havia vários carros de polícia e bombeiros. Além dos caminhões da tropa de choque. A polícia havia isolado a área com a fita de contenção listrada amarela e preta. Luzes de holofotes eram direcionadas para os prédios locais e para as janelas do shopping. Quando pensei que estaria a salvo, que poderia sair e entrar no primeiro ônibus que aparecesse, um casal de policiais surge do lado oposto da porta.</p>
<p dir="ltr">    — Olhe! É ela a ruiva do shopping. — diz a mulher. Cabelos escuros presos numa trança curta. Vestia a farda azul da polícia. Com um colete à prova de balas e carregando uma pistola automática prateada. Seu parceiro era loiro, vestia uma jaqueta marrom e tinha a insígnia da polícia federal no bolso do casaco. Seu olhar era vazio e rude, devia estar na casa dos quarenta e ela tinha apenas uns trinta anos. Provavelmente era tutor dela ou algo parecido.</p>
<p dir="ltr"><a href="/wp-content/uploads/2012/06/29_MHG_2011072967497.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4180" src="/wp-content/uploads/2012/06/29_MHG_2011072967497-300x191.jpg" alt="" width="300" height="191" /></a></p>
<p dir="ltr">    — Olá policiais&#8230; Tudo bem com vocês? — Sorrio enquanto falo e busco os olhos de cada um deles. — Ora, meus caros. Não vão fazer nada de mal&#8230; nem me prender, não é? <strong>Por que não vão embora e finjam não terem me visto?</strong> — Ambos ficam olhando-me atônitos e sorrindo cordialmente para mim. Seus olhares se assemelhavam a adolescentes apaixonados que ficam horas se olhando e suspirando. Enfim, seguem andando para dentro do corredor e ouço, ainda que bem distante, a voz deles:</p>
<p dir="ltr">    — Não&#8230; Não passou por aqui!</p>
<p dir="ltr">    Humm isso mesmo, vocês se saíram bem — penso comigo mesma. — E outra voz ralha:</p>
<p dir="ltr">    — <strong>Como não viram uma oriental ruiva, com as roupas todas rasgadas passando por este ÚNICO corredor?</strong> — uma voz masculina grave soa pelo corredor.</p>
<p dir="ltr">    Então entro no primeiro ônibus que aparece e volto para casa.</p>
<hr />
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<hr />
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		<title>Lendas Esquecidas #3 &#8211; Cantos de uma guerreira da lua minguante</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 11:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lord Raphael Santz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lendas Esquecidas]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Lobisomem: O apocalipse]]></category>

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		<description><![CDATA[Segue uma poesia enviada pela nossa amiga @princesswyndia. Trata-se de uma poesia que sua Galliard fez para narrar os feitos de sua matilha durante uma assembléia: No céu, a lua cheia Em terra, o caos Enquanto uns e outros fornicam com os malditos na cidade corrompida A luz do luar inflama os corações dos garous [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="/wp-content/uploads/2012/05/lendas1.jpg"><img src="/wp-content/uploads/2012/05/lendas1.jpg" alt="" title="lendas" width="610" height="300" class="alignright size-full wp-image-3415" /></a></p>
<p>Segue uma poesia enviada pela nossa amiga <a href="https://twitter.com/#!/princesswyndia" title="perfil do twitter">@princesswyndia</a>. Trata-se de uma poesia que sua Galliard fez para narrar os feitos de sua matilha durante uma assembléia:</p>
<p>No céu, a lua cheia<br />
Em terra, o caos<br />
Enquanto uns e outros fornicam com os malditos na cidade corrompida<br />
A luz do luar inflama os corações dos garous</p>
<p>Mas tudo tem um preço<br />
O toque prateado da lua faz com que se perca a consciência<br />
Deixando a fúria tomar conta<br />
E o frenesi se tornar iminente.</p>
<p>Um sopro suave<br />
Uma melodia doce<br />
E o som de uma flauta ecoa<br />
Acalmando os ânimos e trazendo a consciência de volta<br />
Tirando do torpor os corações acalorados</p>
<p>Infelizmente a paz não é duradoura<br />
Os malditos sentem o cheiro dos garous<br />
E a eles vão caçar</p>
<p>São três guerreiros contra muitos malditos<br />
O líder garou protege os outros dois mais novos<br />
Que correm para alertar os companheiros de matilha</p>
<p>A jovem galliard muda seu rumo<br />
Volta para ajudar o líder<br />
Travestindo a forma guerreira</p>
<p>Há um ditado famoso<br />
Em que em um campo de batalha<br />
Todos são Ahroun<br />
E a galliard Fúria Negra rosna<br />
E com as garras e mordidas<br />
Fatia e destrói aqueles que lhe impedem de seguir.</p>
<p>Uma força a mais<br />
Alguns malditos a menos<br />
Sem significar vitória iminente<br />
Apesar dos esforços unidos</p>
<p>O philodox estava mais à frente<br />
Confuso com suas próprias habilidades<br />
Enquanto seus irmãos lutavam<br />
O Senhor das Sombras atrapalhado<br />
Nada podia fazer</p>
<p>A batalha contra os malditos<br />
Realmente teve um fim<br />
Com o líder da matilha<br />
O ragabash Andarilho do Asfalto sortudo<br />
Ferido gravemente</p>
<p>Com o auxilio da galliard<br />
Cujo o nome é Tragédia Sangrenta<br />
Ele, o Pirata, conseguiu caminhar<br />
Até um lugar mais afastado<br />
Para seguro estar<br />
Aguardando os outros chegarem</p>
<p>Com uivos unidos<br />
Tragédia Sangrenta e Apenas abaixo do Trovão, o philodox<br />
Conseguiram comunicar com seus outros companheiros de matilha</p>
<p>Com todos reunidos<br />
O rumo a seguir era o caern<br />
Mas foram interrompidos<br />
Pelos Dançarinos da Espiral Negra</p>
<p>A matilha inimiga rosna e instiga<br />
Usando a lábia sarcástica<br />
Deixando o Cria de Fenris<br />
O Ahroun esquentadinho<br />
A ponto de bala</p>
<p>O primeiro soco desferido<br />
A primeira mordida dada<br />
Os Ahrouns engalfinhados<br />
O combate iniciado</p>
<p>Tragédia Sangrenta temendo o pior<br />
Usa seu uivo para emitir um chamado<br />
Na esperança de outros garous ouvirem<br />
Para unirem-se ao combate iniciado</p>
<p>Sem resposta imediata<br />
A galliard usa de sua força<br />
Para atingir o theurge inimigo</p>
<p>A Ahroun da matilha inimiga<br />
Sagaz e forte<br />
Dava trabalho para os nossos lua cheia<br />
Próspero Protetor e Trovão de Fenris</p>
<p>Uma verdadeira matilha<br />
É aquela que luta unida<br />
Nem mesmo os mais incapacitados por ferimentos<br />
Deixam seus irmãos perecerem</p>
<p>Os espirais negras são traiçoeiros<br />
Ao perceberem que estavam derrotados<br />
Lançam mão de um ultimo truque<br />
E a escuridão trazem aos olhos dos guerreiros</p>
<p>O que tinha tudo para terminar em desastre<br />
Revertido foi<br />
Talvez por sorte e competência de todos<br />
Talvez por intervenção divina de Gaia</p>
<p>O resultado da batalha<br />
Não foi desfavorável<br />
O grupo deles teve baixas<br />
Apesar de nosso líder não poder lutar mais</p>
<p>Admiro a bravura e a coragem de todos meus irmãos de matilha<br />
E a sabedoria de nosso líder<br />
Que mesmo ferido, não se rendeu<br />
Lutou, deu seu máximo<br />
E Gaia lhe deu a oportunidade, de mesmo muito ferido, viver</p>
<p>O mesmo líder como último ato de seu posto<br />
Sabiamente nomeou Próspero Protetor<br />
Para liderar a matilha<br />
Rumo a glória.</p>
<p>Coube a mim, Tragédia Sangrenta<br />
Cliath, Galliard, Fúria Negra<br />
Membro da matilha Presas do Javali<br />
Relatar através das palavras<br />
Os feitos de minha matilha.</p>
<hr />
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<hr />
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		<title>Lendas Esquecidas #2: Esses orcs miseráveis</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2012 14:18:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lord Raphael Santz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lendas Esquecidas]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Dungeons and Dragons]]></category>

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		<description><![CDATA[- Esses orcs miseráveis&#8230;. Essa foi a ultima coisa que Olram conseguiu pensar até começar a perder a consciência. Os golpes vinham de todos os lados: uma marretada na costela, uma estocada no ombro e por fim um chute no peito que o fez cair em meio a alguns galhos. Aquele era o fim. Na [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="/wp-content/uploads/2012/05/lendas.jpg"><img src="/wp-content/uploads/2012/05/lendas.jpg" alt="" title="lendas" width="610" height="300" class="alignright size-full wp-image-3311" /></a></p>
<p>- Esses orcs miseráveis&#8230;.</p>
<p>Essa foi a ultima coisa que Olram conseguiu pensar até começar a perder a consciência. Os golpes vinham de todos os lados: uma marretada na costela, uma estocada no ombro e por fim um chute no peito que o fez cair em meio a alguns galhos.</p>
<p>Aquele era o fim. Na verdade quando decidiu partir em busca dos Orcs que saquearam seu povo e deixaram um rastro de matança pra trás, já sabia que poderia não voltar. Mas mesmo estando em uma desvantagem numérica gritante, achou que conseguiria levar mais deles consigo, ou pelo menos seu líder. Olram e sua tribo sempre tiveram problemas com orcs. Embora vivessem a apenas alguns dias de Warda, a capital de Caledon, estavam igualmente próximos à cordilheira de montanhas que encerra o reino e de lá sempre surgiam alguns orcs em busca de suprimentos, itens e tudo o mais que estivesse em seu caminho. Dali seu ódio contra essas criaturas, pois não raras eram as vezes que perdiam algum amigo ou criança emboscado pelos covardes monstruosos.</p>
<p><a href="/wp-content/uploads/2012/04/orcs1.jpg"><img src="/wp-content/uploads/2012/04/orcs1.jpg" alt="" title="orcs1" width="792" height="580" class="aligncenter size-full wp-image-3145" /></a></p>
<p>Diferentemente do que ocorria normalmente, naquela tarde de outono uma verdadeira horda de orcs desceu das montanhas, praticamente três vezes o número de habitantes de sua pequena tribo e contra aquele contingente jamais visto nem mesmo ele e os demais guerreiros conseguiram dar conta. Muitos morreram, alguns fugiram e outros ainda, como ele, conseguiram sobreviver. De estranho, perceberam que os orcs pareciam estar apenas interessados em passar, mas é claro que um grupo de orcs daquele tamanho não passa simplesmente sem deixar marcas. Quando o ultimo grupo da caravana monstruosa se foi, quase nada da tribo havia sobrado, e quase ninguém estava vivo. Os guerreiros que sobreviveram decidiram escoltar os feridos para algum lugar seguro e depois tentar buscar pelos sobreviventes que fugiram. Olram fez que não ouviu. Seu líder caíra em combate, sua irmã fora violentada e degolada pelos montros e poucos eram os sobreviventes do massacre. Se não fosse atrás daquelas criaturas agora sabia que dificilmente as encontraria novamente, e essa marca em sua honra não poderia carregar pelo resto de sua vida. Pegou sua espada de lâmina larga que caíra durante o combate e partiu no encalço das criaturas.</p>
<p>Durante a perseguição seu pensamento estava turvo. Sabia que eram muitos, sabia que facilmente seria dominado e subjugado. Porém naquele momento de fúria isto pouco importava desde que pudesse estripar alguns daqueles malditos.<a href="/wp-content/uploads/2012/04/barbaro.jpg"><img src="/wp-content/uploads/2012/04/barbaro.jpg" alt="" title="barbaro" width="251" height="201" class="alignright size-full wp-image-3146" /></a></p>
<p>Olram tentou se levantar, mas logo percebeu que seria uma tarefa árdua quando ao se apoiar sentiu a pontada do profundo ferimento em seu ombro. Talvez algum órgão também tenha sido perfurado por suas costelas quebradas. Tentou canalizar sua fúria e se levantar de sopetão em direção aos poucos atacantes que restaram, porém seu movimento foi muito mais lento do que imaginara, e sua fúria já não conseguia mais alimentar seus músculos. O pé fedido e asqueroso de um dos orcs o forçou contra o chão, fazendo grande pressão em seu peito. As criaturas riam zombeteiras diante de mais uma vítima. Seu algoz preparou a espada enferrujada para o golpe de misericórdia quando um urro desviou a atenção das criaturas.</p>
<p>A noite acabara de cair e de rompante uma luz cegante surgiu por de trás das árvores acompanhando o rugido.  Em um primeiro momento tudo estava muito confuso na cabeça desnorteada de Olram. A pressão sobre seu peito fora aliviada rapidamente. Talvez as criaturas tenham se voltado contra seu novo inimigo. Sons de espadas tilintavam, um martelo batendo em um escudo, orcs grunhindo algo que ele não conseguiu discernir e uma voz rouca e forte clamava algo que ele ouviu, mas não conseguiu assimilar. Seus sentidos ainda estavam muito confusos. Aos poucos sua visão retornava, e então pode ver seu salvador: um cavaleiro alto, forte e trajando uma armadura completa levemente azulada com adornos dourados. O elmo fechado não deixava ver seu rosto. A batalha seguia voraz, e Olram aos poucos recobrava seus sentidos. Percebeu que o cavaleiro combatia três dos quatro orcs que o dominaram. Um deles já havia caído e pela forma como combatia o cavaleiro tentava se aproximar dele sem baixar a guarda. Percebeu então que seu salvador era na verdade uma salvadora. Agora já um pouco mais consciente notou os contornos femininos da armadura, porém grandes demais para uma mulher comum.</p>
<p>Enquanto pensava na mulher que o salvara não notou que o combate estava perigosamente próximo de si, e quando tentou se mover e seus ferimentos começaram a doer, sentiu um imenso conforto em suas entranhas</p>
<p>- Maellis lhe dará forças para que me ajude neste combate. Levante-se e vamos derrotá-los todos! – A voz que saia do elmo era estranhamente gutural e feminina.<br />
Olram estranhou, mas nem deu importância naquele momento, o mais importante era ficar a salvo. Sentindo-se revigorado, o poderoso bárbaro já nem precisava de sua fúria para dar conta dos orcs. Junto de sua parceira derrotaram os três orcs restantes. Diante dos inimigos caídos ambos mantiveram prontidão por mais alguns segundos, como que esperando que algum deles voltassem do reino dos mortos, mas isso não aconteceu.<br />
- Lhe devo minha vida, mulher. &#8211; Olram resmungou em seu chucro agradecimento<br />
-Agradeça à Maellis e aos seus amigos que sobreviveram e indicaram a direção por onde vc havia perseguido os orcs. – exclamou rígida a voz roucamente feminina.<br />
Ao analisar pela armadura Olram certificou-se de que essa era a maior mulher que já vira, maior que ele mesmo.<br />
- Ainda há mais deles. Quando viram que eu seria dominado seguiram seu curso. Apenas aqueles quatro ficaram para terminar o trabalho – notou-se uma ponta de orgulho ferido<br />
- Eu sei. Nós do priorado ficamos sabendo dessa horda imunda logo que abandonaram as montanhas. Não conseguimos chegar a tempo de evitar que destruíssem alguns vilarejos mas a essa altura meus companheiros já devem estar dando um jeito naqueles monstros – havia um certo ódio em suas palavras<br />
- Moça, não sei quem é, mas se odeia os orcs então seremos bons aliados. Odeio essas criaturas mais do que tudo e quero me encontrar com seus amigos para estraçalhar mais alguns daqueles crânios esverdeados – haviam algumas dúvidas, mas o bárbaro queria primeiro vingar sua honra.<br />
- É justo, vamos em meu cavalo que talvez ainda consigamos participar da certame – falou a cavaleira enquanto chamou sua montaria.<br />
- Posso saber seu nome e ver quem você é? Afinal, você salvou minha vida.<br />
Com um aceno positivo de cabeça a mulher levou as pesadas mãos ao elmo e o retirou. Por um momento Olram engoliu a seco. O instinto levou sua mão ao cabo da espada, porém sem empunhá-la. Não sabia como agir, acabara de quase ser morto por um bando de orcs quando uma salvadora misteriosa surge como enviada dos céus para salva sua vida. Porém a tal salvadora era uma deles. Tinha traços um pouco menos bestiais, e a pele mais acinzentada do que verde, mas as grandes presas inferiores saltavam-lhe à boca bem como seu nariz que estava mais para um focinho, ela era um orc! Olram não conseguiu disfarçar a expressão de desgosto.<br />
-Me chamo Chiara, sou uma clériga membro do Priorado e serva da Senhora da Luz Maellis. Não precisa fazer essa cara, tenho tanto nojo dos orcs quanto você. Sou uma meio-orc, filha de uma mãe humana e um orc nojento. Não há tempo para maiores explicações agora, no caminho esclarecerei suas dúvidas, isso é claro, se você ainda quiser sentir o sangue daqueles imundos na sua lâmina?<br />
Toda aquela informação parecia meio estranha, Olram nunca havia visto um meio-orc, nem sabia que eles existiam. Mas se odiava os orcs, embora tivesse uma aparência perturbadoramente semelhante à deles, era sua melhor aliada no momento. Ele fez que sim com a cabeça e subiu na garupa de pesado cavalo adornado com uma fênix dourada em sua cela logo depois de Chiara. A clériga recolocou o elmo e disparou em direção a mais um combate libertador.</p>
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		<title>Lendas Esquecidas #1: Anjos</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Apr 2012 13:35:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>thiagocroft</dc:creator>
				<category><![CDATA[Lendas Esquecidas]]></category>
		<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[        — Se acredito em anjos?         Lizandra, uma bela vampira me fizera a pergunta. Durante toda a guerra entre o Céu e o Inferno pelas almas da Terra, nunca um anjo foi visto.         — É difícil responder&#8230;         Estávamos numa mansão riquíssima. Não vivi milênios apenas me escondendo em covas. Uma sala ampla [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="/wp-content/uploads/2012/04/lendas.jpg"><img src="/wp-content/uploads/2012/04/lendas.jpg" alt="" title="lendas" width="610" height="300" class="alignright size-full wp-image-3316" /></a></p>
<p dir="ltr">        <strong>— Se acredito em anjos?</strong></p>
<p dir="ltr">        Lizandra, uma bela vampira me fizera a pergunta. <strong>Durante toda a guerra entre o Céu e o Inferno pelas almas da Terra, nunca um anjo foi visto.</strong></p>
<p dir="ltr"><a href="/wp-content/uploads/2012/04/Lizandra.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2841" src="/wp-content/uploads/2012/04/Lizandra-218x300.jpg" alt="" width="218" height="300" /></a>        — É difícil responder&#8230;</p>
<p dir="ltr">        Estávamos numa mansão riquíssima. Não vivi milênios apenas me escondendo em covas. Uma sala ampla e bem mobilhada. Janelas grandes cobriam a parede e proporcionava uma bela vista do mar, que se fundia com a escuridão do céu.</p>
<p dir="ltr">         — Por quê da pergunta?</p>
<p dir="ltr">        <strong>— Acho que vi um.</strong></p>
<p dir="ltr">         As palavras me atingiram avassaladoramente.</p>
<p dir="ltr">         — Alessa quase pirei pensando nisso.</p>
<p dir="ltr">        — Vamos diga. — tentei manter-me calma.</p>
<p dir="ltr"><a href="/wp-content/uploads/2012/04/anjo1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2843" src="/wp-content/uploads/2012/04/anjo1-256x300.jpg" alt="" width="256" height="300" /></a>        — Foi muito rápido, mas meus olhos captaram perfeitamente: <strong>Um ser alto, loiro e belo; Apenas de calça jeans; Asas <strong>magnificamente belas</strong> saiam de suas costas .</strong> E sua aura, pela Deusa! A mais pacífica e pura que eu já vira. Uma luz forte e dourada o envolvia, não consegui me aproximar mais para ver. Numa fração de segundos desapareceu. Ao mesmo tempo em que estava ali, pareceu nunca haver estado. Pensei ter imaginado. Mas sei que o vi. Um cavaleiro do Paraíso. Eles existem!</p>
<p dir="ltr">         Abracei-a e a reconfortei. Estava em choque!</p>
<p dir="ltr">        Ela olhou-me nos olhos. Seu rosto estava coberto de sangue das lágrimas.</p>
<p dir="ltr">        Tentei falar, mas não tinha forças. Depois de anos tentando acreditar neles. Ela avista um provando sua existência!</p>
<p dir="ltr">         — O que faço?</p>
<p dir="ltr">        — Observar.<strong> E não sair procurando anjos e demônios como fizemos no passado.</strong> — soltei-a.</p>
<p dir="ltr">        — Aonde vai? Não me deixe.</p>
<p dir="ltr">        — Buscarei Laio Partéau. Aguarde&#8230; — Caminhei até a varanda, abri o vidro da porta e voei pela noite a fora. Voando fui até a sede em Paris encontra-lo.</p>
<p dir="ltr">         Antigo e fiel companheiro, paixão passada. Será?</p>
<p dir="ltr">        Na sala dele há um laptop ligado sobre o sofá, mostra uma pesquisa sobre a Necromancia Asteca.</p>
<p dir="ltr">        Barulho na porta; ele entra.</p>
<p dir="ltr">        <strong>Vampiro não muito alto, e magro. Cabelos castanhos macios.</strong> Os olhinhos sagazes amendoados. Vestia um <a href="/wp-content/uploads/2012/04/Laio.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2844" src="/wp-content/uploads/2012/04/Laio-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a>terno de corte moderno.</p>
<p dir="ltr">         — Alessa?</p>
<p dir="ltr">        — Monsieur Partéau, espero não ser má hora.</p>
<p dir="ltr">        — Jamais — seguiu até sua mesa, sentou e ficou me observando de braços cruzados — Em que devo a honra?</p>
<p dir="ltr">         Apenas sorrio.</p>
<p dir="ltr">         — Em que eu possa ajudar? Você não faz visitas, nunca mais nos vimos.</p>
<p dir="ltr">        — Você poderá ajudar a mim, à Lizandra e a você próprio.</p>
<p dir="ltr">         O semblante preocupou-se. Coçou o queixo.</p>
<p dir="ltr">         — Como nos velhos tempos?</p>
<p dir="ltr">        <strong>— Lizandra avistou algo que jamais conseguimos, um anjo.</strong></p>
<p dir="ltr">         Laio arregalou os olhos.</p>
<p dir="ltr">         — Não&#8230; Não dá para acreditar!</p>
<p dir="ltr">        — Alguma idéia?</p>
<p dir="ltr">        — Por que eu teria?</p>
<p dir="ltr">         <strong>Durante a eternidade ele buscou pelos celestiais. Investigou, mas nunca os encontrou. E agora outro os descobre e não ele.</strong></p>
<p dir="ltr">         — Ninguém melhor que você.</p>
<p dir="ltr">         Ele enxugava lágrimas, o lenço ficou todo manchado parecia limpar feridas.</p>
<p dir="ltr">         — Laio tenho um forte pressentimento que algo acontecerá.</p>
<p dir="ltr">         Olhou-me passivo; rosto calmo. Recuperado.</p>
<p dir="ltr">         — Vamos investigar. Como no passado.</p>
<p dir="ltr">        — Mas nunca os encontramos.</p>
<p dir="ltr">        — Desta vez será diferente!</p>
<p dir="ltr">         Ele dobra a manga da camisa. Notei pequenas inscrições no braço num idioma que nunca havia visto. Fiquei observando quieta.</p>
<p dir="ltr"><a href="/wp-content/uploads/2012/04/axelia.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-2858" src="/wp-content/uploads/2012/04/axelia-300x230.jpg" alt="" width="300" height="230" /></a>        <strong>Sabíamos que guardava um poder único desde que fora criado.</strong> Agora ele aprendera a controlar e manifestar estes dons.</p>
<p dir="ltr">        De um baú retirou uma máscara de madeira e um punhal de pedra. Pôs a máscara coberta de runas na face; Os olhos brilhantes podiam ser vistos por dois entalhes.</p>
<p dir="ltr">        O poder de Laio surgiu de seu grande medo por fantasmas e cemitérios, acabou desenvolvendo a técnica de penetrar no plano espiritual.</p>
<p dir="ltr">       <strong> Durante a eternidade buscamos o sentido da vida e da morte</strong>; no mundo espiritual não há essa distinção. <strong>Lá não há vida e nem morte. É um intervalo</strong>, local onde todos devem passar e aguardar serem erguidos para o paraíso ou arrastados para o inferno.</p>
<p dir="ltr">        Não tão diferente do nosso. Hora ou outra espíritos se manifestam tentando se comunicar conosco. Eu tenho o poder de apenas avistar este mundo, ás vezes, me comunicar com eles. Porém Laio vai muito além, pode se tornar incorpóreo e penetrar, passando de um mundo ao outro, entrando no mundo espiritual.</p>
<p dir="ltr">        Laio fazia cortes profundos no pulso, riscava com o punhal afiado e redesenhava os símbolos. O sangue escorria e manchava o carpete.</p>
<p dir="ltr">         — Laio! — Ele estava perdido num transe sinistro. Desenhava sinais no ar como numa lousa sobrenatural.</p>
<p dir="ltr">        <strong> Forcei-me enxergar o mundo espiritual usando bruxaria.</strong> Agora eu tudo via: É muito estranho, pois ele é e não é ao mesmo tempo. Vejo o plano material, o nosso mundo; e ao mesmo tempo vejo o fantasmagórico, um mundo dentro do nosso.</p>
<p dir="ltr">        Ele desenha uma porta e entra. Um baque me acerta em cheio; caio estirada. Meu agressor surge para mim — um fantasma.</p>
<p dir="ltr">      <a href="/wp-content/uploads/2012/04/fantasma.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-2846" src="/wp-content/uploads/2012/04/fantasma.png" alt="" width="278" height="250" /></a><strong>Forma incorpórea de um antigo mortal. Os olhos apenas frestas escuras, as bochechas carcomidas por vermes; o nariz sem cartilagem exibindo duas fendas triangulares; sem dentes e a pele colada aos ossos parecendo um zumbi.</strong></p>
<p dir="ltr">        Ele ri sarcasticamente.</p>
<p dir="ltr">        Levanto-me, ele avança contra mim, estava preparada, mas para o quê? <strong>Atravessa por dentro de meu corpo, uma dor profunda e gélida corrói meu corpo</strong>. Parecia que lâminas dilaceravam-me. Quando termina, caio deitada exaurida.</p>
<p dir="ltr">         —<strong> Vampiro!</strong></p>
<p dir="ltr">         Ele falava com Laio que revirava um antigo escritório. O fantasma avança contra ele, que tentou correr para o portal dos dois mundos. Carregava um livro consigo. Eu via tudo como num sonho: hora a cena me era visível, hora via apenas a sala vazia.</p>
<p dir="ltr">         — Laio cuidado!</p>
<p dir="ltr">         O espectro o havia agarrado nos braços há poucos passos da saída daquele lugar. Laio lutava bravamente, mas a força exercida pela alma era tão forte quanto a dele.</p>
<p dir="ltr">        Não era especialista em espíritos. Só conseguia ser ouvida, ao menos&#8230;</p>
<p dir="ltr">         <em><strong>— Espectro das trevas que fora condenado, eu ordeno que venha à minha presença. Eu o convoco!</strong></em> — falei telepaticamente.</p>
<p dir="ltr">         Ele o solta e vem a mim: Aguardando saber o motivo de sua evocação. Tempo para Laio sair de lá e lacrar tudo.</p>
<p dir="ltr">         <em>— Eu, Alessa o liberto deste fardo. <strong>Está livre para seguir para onde for: Céu ou Inferno</strong>, não precisa mais sofrer no purgatório. Vá&#8230;</em></p>
<p dir="ltr">         O espírito se dissolve em luz e fumaça. Sumindo para sempre.</p>
<p dir="ltr">         — Laio está tudo bem?</p>
<p dir="ltr">        — Na medida do possível, sim.</p>
<p dir="ltr">        — Que livro&#8230;</p>
<p dir="ltr">        — Angeologia, o estudo dos anjos. Ele pertenceu à minha Ordem há gerações, foi retirado de nosso poder e carregado para as terras espirituais. Estava procurando-o há séculos.</p>
<p dir="ltr">         Ele abre o livro e o lê numa velocidade incrível.</p>
<p dir="ltr">         — Alessa, encontrei. Entendi como são os anjos!</p>
<p dir="ltr">        — E como seria isto?</p>
<p dir="ltr">        — <strong>Os anjos não são constituídos de matéria como nós. Mas sim de luz e amor. O mais puro amor da fé dos homens e <a href="/wp-content/uploads/2012/04/luz-e-amor.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2847" src="/wp-content/uploads/2012/04/luz-e-amor-300x218.jpg" alt="" width="300" height="218" /></a>de Deus&#8230; Esta luz unida ao amor é moldada na forma que o anjo bem entender.</strong></p>
<p dir="ltr">        — O que quer dizer com isso? <strong>Amor e luz fundida num tipo de substância que eles possam moldar a seu próprio gosto?</strong></p>
<p dir="ltr">        — <strong>Exato!</strong> Imagine os fantasmas, nada melhor que eles. Você já estudou e acabou de ver um.<strong> São constituídos de energia, a alma.</strong> Carregamos a alma em nós e quando morremos ela é liberada podendo ou não nos transformarmos em fantasmas. Esta energia se funde numa vontade específica que prenda esta alma à Terra. Missão inacabada, pessoa amada, um objeto específico os forçam a ficar presos ao mundo físico. Estas vontades lhe dão forças para que haja manifestação. Os anjos também, mas usam luz e amor. <strong>Acredita-se que os primeiros surgiram diretamente da aura de Deus; Dos raios luminosos que emanam do Senhor do Paraíso.</strong></p>
<p dir="ltr">         Eles, jamais vistos, agora um fora visto pela nossa espécie; E Laio revela toda a <strong>composição genética angelical</strong>.</p>
<p dir="ltr">         — Por quê ele se mostrou? Deve haver algum motivo.</p>
<p dir="ltr">        — <strong>Nem tudo no mundo têm um motivo claro</strong>. Algumas coisas estão terrivelmente escondidas. E sobre a aparição dele&#8230;</p>
<p dir="ltr">        — Diga Laio — pedi impaciente.</p>
<p dir="ltr">        —Você já respondeu! Ele quis se mostrar só agora; Por qual motivo? Isto somente ele ou Deus responderão.</p>
<p dir="ltr">         Fiz diversas perguntas a ele e respondeu exatamente isso: <strong>Lizandra viu o anjo porque ele o quis e nada nem ninguém poderia fazê-lo se um anjo assim não o quisesse.</strong></p>
<p dir="ltr">        Segui para a janela.</p>
<p dir="ltr">         — Já vai embora novamente?</p>
<p dir="ltr">        — Da outra vez não fui eu quem partiu.</p>
<p dir="ltr">         Lancei-me no ar.</p>
<p dir="ltr">         — Para onde vai? — gritou ele.</p>
<p dir="ltr">         Não precisei responder, já sabia. Lizandra quem veio a min. Levaria a resposta para ela. E depois? Não sei dizer.</p>
<hr />
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